Viajantes e viajadas

Ciro José Mombach, médico. (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Quando encontramos algum amigo ou familiar que viajou e, curiosos, perguntamos como foi a viagem, a resposta vem sempre parecida:

– Foi tudo muito bom, muito maravilhoso, mas…

E é nesse “mas” que reside a melhor parte da história. As nar­rativas de viagens podem ser bas­tante enfadonhas, mas a parte que mais nos interessa é o que deu errado. O aperto de hoje é a comédia de amanhã e sempre rende boas risadas.

Alugamos um carro alemão e saímos faceiros do aeroporto. No primeiro sinal vermelho, o carro apagou. E, assim, seguiu em cada parada. Já estava me preparando para retornar quando me lembrei de um artigo da Quatro Rodas. E foi assim que fui apresentado ao start-stop, na época inexistente no Brasil.

Minha mulher estabeleceu uma sábia rotina de, na véspera do voo de retorno, pernoitar em hotel próximo ou no próprio aero­porto. Assim, jantamos no hotel e, após, fomos conferir o nosso voo. Para nossa surpresa, somos infor­mados que nosso voo não existia. Mostramos nossos vouchers e de­pois de uma longa pesquisa, so­mos informados que havia um se­gundo aeroporto na cidade e que ficava a 80 km dali. Só nos sobrou acordar às 4 da manhã e contra­tar um transfer…

Temos uma mala antiga, que minha esposa ama de paixão. É daquelas que roda deitada, pu­xada por uma tira, e que tomba para um lado ou para o outro de­pendendo da carga. Claro, quem puxa a mala sou eu. Viajantes inexperientes, chegamos a um hotel com porta giratória. Após muito estudar, entrei na por­ta giratória com a mala no colo. Depois de todo o esforço é que descobrimos a, para nós não tão óbvia, porta lateral.

Chegando cansados depois de dirigir muitas horas, descar­regamos as malas e, como sem­pre, vou lotado de bagagem como um burro de carga, e ela lépida e faceira na frente. No hotel, ela abre a porta de vidro com mola, e quando me preparo para passar, ela solta a porta. Levo uma por­tada na testa e caio por cima das malas estatelado no chão. Ao fa­zer o check-in, percebo na aten­dente que a tudo assistira um in­controlável riso disfarçado…

Visitamos com filho e nora as ilhas Gregas. Na véspera do re­torno, a mulher insiste que eu vá falar com o dono do pequeno hotel para conferir as passagens. De nada adiantou eu argumen­tar que o homem nada entendia de passagens aéreas. Me fez le­var o filho como testemunha. Queria confirmar com o hotelei­ro se aquele voo sairia mesmo às 11 horas da manhã. Ele pe­gou as passagens e disse: Esse voo é para as 11 PM, ou seja 11 da noite!

Aí bateu o desespero. Pedi para ele tentar outro voo nesse horário. Havia um ao meio-dia. E, após muito grego para cá e muito grego para lá, compramos quatro novas passagens. Fiz meu filho jurar que não contaria para mãe o acontecido. Chegando no aero­porto, a mulher olha o relógio im­paciente e pergunta se realmente o nosso voo virá.

– Te acalma mulher, esses voos sempre atrasam…

Por Ciro J. Mombach

Médico