Novo momento para a economia pelotense

Bairros planejados como o Parque Una tem se tornado um atrativo para investidores e comerciantes. (Foto: Maria da Graça Marques/JTR)

Investimentos imobiliários de grande porte têm atraído novos negócios para outras áreas da cidade, criando pontos estratégicos para o comércio e a presta­ção de serviços em Pelotas. Percorrendo as principais avenidas da cidade é possí­vel ver que as antigas áreas vazias estão sendo preenchidas principalmente por pequenos e modernos centros comer­ciais, que procuram abastecer os consu­midores de diferentes bairros.

Por outro lado, as startups ganham novos espaços no mercado, a partir do uso de tecnologias que avançam com a formação de mão de obra especializada pela expertise das instituições de ensi­no, que cada vez mais se voltam para a criação de produtos que visam abaste­cer outros mercados, inclusive do exte­rior. Abrigadas pelas incubadoras das di­ferentes universidades locais, instaladas no Parque Tecnológico de Pelotas (PPT), elas encontram o apoio para se desenvol­verem, dentro dos modernos conceitos de inovação. Pelotas é um reconhecido polo educacional voltado à inovação e à pesquisa.

O Centro do município já não concentra todo o poder econômico da cidade. (Foto: Maria da Graça Marques/JTR)

O estudo gaúcho Tech Mining Report coloca Pelotas em quinto lugar entre as cidades do Estado em número de star­tups, atrás apenas de Porto Alegre, São Leopoldo, Caxias do Sul e Santa Maria. Presidente do Sindicato do Comércio Va­rejista (Sindilojas) de Pelotas e diretor da Federação do Comércio de Bens e Ser­viços (Fecomércio) gaúcha, Renzo Anto­nioli frisa que a Tecnologia da Informa­ção (TI) é, na verdade, uma prestação de serviço, que pode ser traduzida, hoje em dia, como a melhor parte da economia de uma cidade.

Diferentemente do comércio, que apenas faz girar o mesmo dinheiro, que vive de “dinheiro velho”, como define Antonioli, a TI traz “dinheiro novo” para a cidade, através da prestação de servi­ços das empresas locais para outros mer­cados, por vezes muito distantes, atra­vés de contratos com grandes grupos empresariais de fora do País. São pro­fissionais que antes precisavam sair de Pelotas para desenvolverem suas carrei­ras, mas hoje conseguem mostrar seus talentos em endereços na cidade, ocu­pando salas comerciais e não mais insta­lados em grandes prédios. “São os mais difíceis de serem percebidos”, reconhece o empresário. “Precisam mais da proprie­dade intelectual que de uma sede físi­ca”, completa.

Mas quando se fala em inovação, não é necessário deixar de lado traços da economia tradicional da cidade, como é a pecuária e a agricultura. Pelotas, além de polo comercial de uma região forma­da por mais de duas dezenas de municí­pios, é também reconhecida como pro­dutora e beneficiadora de arroz, além de sede para uma trajetória de sucesso da indústria conserveira do País, abastecida pelos agricultores locais e de cidades vi­zinhas. São essas indústrias que também trazem mudanças para seus parques fa­bris, buscando atender às exigências do consumidor.

Hoje, na área médica, existe um Ar­ranjo Produtivo Local (APL) voltado para desenvolver o setor através de ações conjuntas, que garantam maior comer­cialização em novos mercados. Projeto de um novo Distrito Industrial está em estudo para atender a uma demanda maior de novas áreas para a instalação de indústrias na cidade e também para criar condições mais atrativas à capta­ção de novos investimentos, a partir de oportunidades que surgem na região, im­pedindo que busquem cidades vizinhas.

Mudanças geográficas

É inegável que as áreas comerciais das cidades estão ganhando novos con­tornos, com a expansão das zonas resi­denciais através de novos condomínios tanto populares, como os do Programa Minha Casa, Minha Vida, como de alto nível, que ocupam novos espaços no en­torno da praia do Laranjal e no próprio balneário. Para o Parque Una, que acaba de completar uma década desde seu lan­çamento, já migraram muitas empresas do comércio e de serviços, que mudaram seus endereços para o bairro planejado, que une moradia, trabalho e lazer, ou cria­ram nele uma nova opção de negócio. O mesmo começa a ocorrer no Bairro Quar­tier, para onde o Grupo Guanabara prio­rizou o funcionamento de um atacarejo.

Localizados em áreas opostas da ci­dade, ambos estão com grande expansão de empreendimentos imobiliários para atender a diferentes tipos de moradores e, consequentemente, recebem investi­mentos que facilitam seus hábitos de con­sumo pela proximidade. Foi para garantir maior acesso de clientes a caminhos de seus lares que as empresárias Roberta e Renata Gorgot abriram a loja de roupas infantis no Caminito Comercial, um dos primeiros centros comerciais instalados na avenida Adolfo Fetter, nas proximida­des da Rio Grande do Sul.

Áreas que antes não eram ocupadas, agora se tornam novos polos comerciais para os pelotenses. (Foto: Maria da Graça Marques/JTR)

Na área central, os muitos prédios va­zios com placas de vende-se ou aluga-se chamam a atenção. E cada vez que uma loja fecha as portas, os comentários são negativos, com tom de pessimismo. No entanto, é preciso considerar a migração de empreendimentos para outras zonas da cidade, como as próprias ruas após a avenida Bento Gonçalves em direção à Dom Joaquim, onde o estacionamento é de mais fácil acesso.

“A área central está no limite da deca­dência”, alerta Antonioli, que mantém sua loja em ponto estratégico nesse mesmo local. Muitos lojistas reclamam do custo alto dos alugueis em prédios que preci­sarão de investimentos também na sua restauração. Dos calçadões, também são muitas as queixas sobre o abandono, com calçamento sucateado, lixeiras quebradas, falta de uma limpeza regular e de segu­rança permanente.

Para eles, existe um estudo em anda­mento, numa iniciativa das entidades em­presariais com o Executivo. Segundo o vice-presidente da Associação Comercial de Pelotas (ACP), Fabrício Cagol, dentro da proposta de revitalização do Centro Histórico de Pelotas, existe inclusive um projeto-piloto que contempla com de­talhes a ideia de uma rua coberta, que ainda não se concretizou pela existência de gargalos que precisam ser resolvidos administrativamente.

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