Vapes: mais do que uma questão econômica, uma questão ética

Ricardo Goron Cidade 

Coordenador no Instituto Atlantos

Antigamente, ao caminhar por uma metrópole, qualquer um notaria a enorme quantidade de fumantes existente. Era possível fumar em quase todas as áreas – restaurantes, clubes e lojas -, já que o tabaco tradicional era visto como uma questão também de status social. O cigarro circulava livremente e fumar era um hábito da maioria da população adulta. Contudo, no final do século XX, foram provados os malefícios gigantescos do tabagismo a longo prazo.

As informações circularam e muitos cidadãos decidiram parar de fumar ou controlar o seu consumo efetivo, levando o governo e as instituições privadas a, naturalmente, proibir o uso de cigarros tradicionais em quase todos os locais.

Qual, então, a questão ética por trás desse desenvolvimento histórico? Acredito ser a velha questão sobre liberdade de escolha. O avanço nas pesquisas médicas provou o mal que o fumo pode causar na sociedade, mas não proibiu sua venda, produção e comercialização. A decisão de muitos indivíduos de largar esse hábito foi seguida, no fim de sua vida, pela filósofa Ayn Rand; porém Rand jamais defendeu proibir os cigarros. Na filosofia ética fundada por ela, o Objetivismo, você é livre para fazer o que bem entender, desde que respeite o direito do próximo de fazer o mesmo e seja, pois, inteiramente responsável pela sua escolha.

Sobre os perigos de confiar em uma legislação impeditiva, Ayn Rand já nos alertava: “civilização é o processo de libertar o homem de outros homens”. Deixar alguém escolher o que consumir é um direito fundamental para qualquer pessoa que ache que as escolhas pessoais dos outros não lhe dizem respeito. Volte a cena inicial da metrópole onde muitas pessoas fumavam e pense se você nunca viu, atualmente, alguém fazendo uso de cigarros eletrônicos ao invés do tabaco. Se existe um produto que alguém, de livre e espontânea vontade, deseja adquirir e existe alguém disposto a produzir e vender, que direito tem o Estado sobre essas pessoas e suas escolhas?

A liberdade para escolher é vista por Ayn Rand como não apenas fundamental para a economia, mas para vida humana. Rand já argumentava que, às vezes, já fazemos muito pela sociedade se deixamos as pessoas em paz consigo mesmas.

Se você, assim como eu, acredita que o indivíduo deve ser “livre para escolher”, como sugere o título de Milton e Rose Friedman, destaco que defendemos algo mais importante que a redução de danos com cigarros eletrônicos, defendemos a soberania de cada um de nós sobre nós mesmos.

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