Empatia, Presteza e Urbanidade. Porquê não?

Psicologicamente, empatia é a capacidade de você sentir o que uma outra pessoa sente caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela, ou seja: procurar experimentar de forma objetiva e racional o que sente o outro a fim de tentar compreender sentimentos e emoções. Quando se chega em um ambiente novo, estranho ao seu cotidiano, com espaços, pessoas e regras novas, esperamos, no mínimo, encontrar a empatia por lá.

Se tratando de espaço público, com servidores públicos, que possuem como deveres, entre tantos outros descritos na legislação: “atender com presteza o público em geral” e “tratar com urbanidade as pessoas”, contamos que além da presteza e urbanidade, encontraremos a famigerada empatia.

Infelizmente, não foi o que encontramos aqui em Pelotas, na tão sonhada universidade pública e gratuita que permeou os sonhos da minha filha durante os anos em que almejava a sua vida acadêmica. A experiência que vivenciamos entre o que eles chamam de pré-matrícula até a finalização do processo, que seria a efetivação da mesma, não foi nada simples e muito menos fácil.

Não há o mínimo de apoio em um momento em que os estudantes estão apreensivos, as famílias confusas em relação à documentação e a única coisa que se houve do outro lado da linha telefônica é: “leia o edital”, ou “já leu o edital?”, ou então a variante “está tudo no edital”. Além disso, mesmo com tudo funcionando a pleno vapor, dizem que não estão atendendo presencialmente. É o que tem. Talvez esteja escrito no edital e eu não li.

Não há um sistema simplificado, intuitivo, que facilite e agilize a matrícula. Me atrevo a dizer que é quase arcaico em 2022 enviarmos via google forms, um arquivo único, que deve ser compilado em um site indicado por eles, até um tamanho máximo de “x” MB, e que, preste bastante atenção, deve ser enviado somente uma vez sem possibilidade de novo envio ou correção, ok? Pois bem, eu até compreendo tudo isso que acabei de escrever, porque tenho um conhecimento mínimo em informática, trabalho diariamente com arquivos, com documentos, com digitalização, enfim, tenho familiaridade.

E quem não tem? O exemplo estava aqui mesmo do meu lado, eu disse que eu tenho essa familiaridade, mas minha filha, a acadêmica em questão, não tem e ela não teria conseguido providenciar tudo o que pediram e da forma que pediram se não tivesse o meu auxílio.

Tudo isso já foi bastante desgastante e ainda nem citei que a vaga dela era como cotista L2 – assim como foi quando no início do ano ela entrou em outra Federal na região norte do estado, e inclusive começou a cursar frequentando por um mês, até que saiu o resultado do PAVE e ela havia sido selecionada, voltando para casa, para cursar a faculdade próxima da família. Só que não. A matrícula não se efetivou.

Não quero aqui julgar os critérios de seleção para cotistas utilizados, nem polemizar uma discussão tão séria e importante na nossa sociedade, que deve ser tratada com todo respeito e seriedade, isso vai ser julgado na justiça, posteriormente.

O que venho aqui é questionar a forma como são tratados esses estudantes ingressantes na universidade, a forma como esses servidores escolheram lidar com esses futuros acadêmicos cheios de sonhos e esperanças, que vem de realidades diversas e habilidades distintas, muitas vezes carregadas de dificuldades e sofrimentos imensuráveis.

E digo escolheram porque sim, é uma escolha. Você escolhe ter empatia ou não. Você escolhe ser prestativo ou não. Não ser empático e fazer somente o seu dever, é um direito, e precisamos respeitar. Só que, ter presteza e urbanidade são DEVERES do servidor público, e o cumprimento de deveres é o mínimo que esperamos dos mesmos.

*Jornalista e Professora