Quando encontramos algum amigo ou familiar que viajou e, curiosos, perguntamos como foi a viagem, a resposta vem sempre parecida:
– Foi tudo muito bom, muito maravilhoso, mas…
E é nesse “mas” que reside a melhor parte da história. As narrativas de viagens podem ser bastante enfadonhas, mas a parte que mais nos interessa é o que deu errado. O aperto de hoje é a comédia de amanhã e sempre rende boas risadas.
Alugamos um carro alemão e saímos faceiros do aeroporto. No primeiro sinal vermelho, o carro apagou. E, assim, seguiu em cada parada. Já estava me preparando para retornar quando me lembrei de um artigo da Quatro Rodas. E foi assim que fui apresentado ao start-stop, na época inexistente no Brasil.
Minha mulher estabeleceu uma sábia rotina de, na véspera do voo de retorno, pernoitar em hotel próximo ou no próprio aeroporto. Assim, jantamos no hotel e, após, fomos conferir o nosso voo. Para nossa surpresa, somos informados que nosso voo não existia. Mostramos nossos vouchers e depois de uma longa pesquisa, somos informados que havia um segundo aeroporto na cidade e que ficava a 80 km dali. Só nos sobrou acordar às 4 da manhã e contratar um transfer…
Temos uma mala antiga, que minha esposa ama de paixão. É daquelas que roda deitada, puxada por uma tira, e que tomba para um lado ou para o outro dependendo da carga. Claro, quem puxa a mala sou eu. Viajantes inexperientes, chegamos a um hotel com porta giratória. Após muito estudar, entrei na porta giratória com a mala no colo. Depois de todo o esforço é que descobrimos a, para nós não tão óbvia, porta lateral.
Chegando cansados depois de dirigir muitas horas, descarregamos as malas e, como sempre, vou lotado de bagagem como um burro de carga, e ela lépida e faceira na frente. No hotel, ela abre a porta de vidro com mola, e quando me preparo para passar, ela solta a porta. Levo uma portada na testa e caio por cima das malas estatelado no chão. Ao fazer o check-in, percebo na atendente que a tudo assistira um incontrolável riso disfarçado…
Visitamos com filho e nora as ilhas Gregas. Na véspera do retorno, a mulher insiste que eu vá falar com o dono do pequeno hotel para conferir as passagens. De nada adiantou eu argumentar que o homem nada entendia de passagens aéreas. Me fez levar o filho como testemunha. Queria confirmar com o hoteleiro se aquele voo sairia mesmo às 11 horas da manhã. Ele pegou as passagens e disse: Esse voo é para as 11 PM, ou seja 11 da noite!
Aí bateu o desespero. Pedi para ele tentar outro voo nesse horário. Havia um ao meio-dia. E, após muito grego para cá e muito grego para lá, compramos quatro novas passagens. Fiz meu filho jurar que não contaria para mãe o acontecido. Chegando no aeroporto, a mulher olha o relógio impaciente e pergunta se realmente o nosso voo virá.
– Te acalma mulher, esses voos sempre atrasam…
Por Ciro J. Mombach
Médico



