No contexto dos conceitos, ser diferente às vezes atrai indiferenças que beiram à exclusão social. Estamos no campo das dificuldades que ainda precisam ser superadas, pelos diferentes e pelos indiferentes. É um desafio que acompanha principalmente quem caminha no terreno das vulnerabilidades.
A Dóris Santana é deficiente visual desde o nascimento e sempre dribla obstáculos de toda a ordem para sobreviver aos desafios que se apresentam. Aos 16 anos ela é aluna do 9º ano do Colégio Municipal Pelotense, respaldada por um saber e determinação diferenciados, desde os primeiros incentivos à estimulação precoce recebida ainda nos seus primeiros meses de vida, na escola Louis Braille, em Pelotas, onde ainda recebe reforço nos necessários recursos educacionais. Uma primeira infância e adolescência de muitas superações.

No histórico educacional da Dóris, boas notas curriculares e vitórias nas pistas de atletismo na Princesa do Sul, no estado e país. A Dóris é bicampeã brasileira das Paralimpíadas Escolares nos 800 metros. Superar distâncias e dificuldades naturais impostas pela vida a deficientes visuais tem sido mais fácil do que superar algumas indiferenças como a falta de empatia, tão necessária no seu cotidiano.
“Acho que falta um pouco mais de atenção responsável, a gente parece estar a sós diante das dificuldades. Somos vistos e tratados como um fator negativo, o qual atrapalha e dificulta”, observa a jovem.
A queixa de Dóris vai além: ela reclama também por outros de situação semelhante à sua. “Nós, deficientes visuais, precisamos ser vistos com mais empatia e respeito às nossas dificuldades e não como se fossemos coitadinhos ou causadores de problemas aos outros”, afirma, reclamando da ausência de uma bandeira de lutas na defesa dos direitos inclusivos de fato, dos deficientes visuais.
“Eu falo por mim, pelas dificuldades que eu enfrento e sinto diariamente, mas acredito que a necessidade de todos nós deficientes visuais é sermos vistos com respeito, como capazes, e podermos compartilhar experiências que ajudem todos a crescer”, registra a jovem adolescente, solicitando mais olhares sobre a problemática que se apresenta na forma de indiferença diante dos deficientes visuais.
Augusto Santos
Jornalista




