Encrenca

Ciro José Mombach, médico. (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Complicações, enredos, distúrbios, confusões, atrapalhações, desordens, histórias, tumultos, alvoroços, embrulhadas, desorganizações, balbúrdias, barafundas, badernas, bagunças, banzés, imbróglios, trapalhadas, pandemônios, forrobodós, rebuliços, salsadas, fuzuês, bodes, galhos, enrascadas, alhadas.

Não se trata de nenhuma dessas encrencas. A encrenca que eu falo é daquela vendida nas ruas de Cachoeira do Sul. O encrenqueiro (vendedor de encrenca) avisa de sua chegada tocando um triângulo de metal que emite um som alto e agudo que de longe se ouve. A criançada toda corre em alvoroço quando o escuta.

Carrega nas costas um cilindro metálico cheio de encrencas. A iguaria tão festejada é um cone do tamanho de um funil médio, feito com uma massa que é prensada naquelas prensas planas, super aquecidas, tipo de hambúrguer. A seguir, é colocada por fora de um cone de aço inox para tomar forma. Assim que esfria, é embalada em um cone de papel, para não perder a crocância, e colocada junto com as outras encrencas no cilindro de transporte do encrenqueiro.

O aspecto final é de um cone bronzeado, da cor das casquinhas de sorvete, porém, com a espessura de uma hóstia. À mordida, revela pelo sonoro crééék, crééék, sua deliciosa crocância. O sabor que excita as papilas gustativas se assemelha ao das melhores casquinhas de sorvete. Difícil comer uma só.

Só uma família detém há anos o monopólio da fabricação e distribuição das encrencas. O encrenqueiro mais popular é conhecido pelo codinome de Tarzan.

Visitando Cachoeira, se ouvir o tilintar do triângulo, corra! Corra, pois lá vem Tarzan e suas encrencas. Corra ligeiro para pegar a sua, pois logo termina…

Por Ciro Mombach

Médico