A copa sempre me fez conversar comigo mais intimamente, levando-me a viajar pelo tempo que passou, pelo tempo atual e pelo que virá.
A minha primeira copa que eu lembro? A de 1958, quando eu tinha 8 anos. Entre os chiados da rádio, eu ouvia junto com o pai o locutor vibrando com o Brasil. O futebol já fazia parte da minha vida, torcendo pelo Inter e pelo Cruzeiro de Jaguarão. Depois de escutar os jogos, eu ia para o pátio da casa onde morava, e repetia o jogo inteiro “ao vivo” driblando que nem o Pelé e o Garrincha, e defendendo igualzinho ao Nilton Santos e o Bellini. Eu fui campeão do mundo também, sim, junto com eles.
Na copa de 1962 eu já era mais mocinho. Aí que realmente as copas começaram a ser vistas por mim de uma maneira mais estranha e curiosa. Eu pensava assim: “Poxa, na próxima copa eu vou estar com 16 anos, o que eu vou fazer até lá?” e eu ainda vibrava com a nossa seleção, sabia o nome de todos os jogadores, discutia futebol, e fui campeão do mundo de novo.
Na copa seguinte, a mesma rotina. Nossa seleção em 1966 nos mostrou que não era invencível, e um dia iria perder que nem o Inter e o Cruzeiro. Tive um pouco de desilusão e meu pai me explicou que na vida poderia ser assim também. Não entendi muito bem, só pensei que na próxima copa eu estaria com 21 anos.
E o tempo foi passando, as copas acontecendo, o país mudando, nós descobrindo outros nós dentro de nós. E assim entre mais três copas conquistadas e muitos tropeços nas outras tantas, chegamos em 2026. E eu com 76 anos.
Ainda penso como criança que ainda sou na próxima copa. Estarei com 80 anos. Posso perfeitamente estar até lá fazendo ainda planos que posso realizar, vivendo sonhos, pois não deixarei de sonhar, ou não. Mas sei que a esperança por dias melhores, jamais deixará de estar comigo para sempre.




