Escândalo parte dois

José Henrique Pires licenciado em Estudos Sociais pelo ICH-UFPel, especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha, jornalista e radialista. (Foto: Divulgação)

O ano era 1976 e Pelotas tinha dois fortes jornais com circulação diária.

O mais tradicional, o Diário Popular e o moderno A Gazeta Pelotense, que disputavam leitores e anunciantes naquele ano eleitoral.

Além desses, o Correio do Povo e o Grupo RBS tinham muitos assi­nantes e mantinham correspondentes residentes na cidade.

Quando, no calor da disputa eleitoral, o candidato tido como favorito denunciou que estava sendo alvo de chantagem e prestou queixa no quartel do exército e pediu que o inquérito corresse por lá e não na polícia, o escândalo atravessou fronteiras.

Naquela época, os jornais transcreviam absolutamente tudo o que os repórteres ouviam. Também eram publicadas as fotos dos suspeitos, das vítimas, das testemunhas. A lei permitia.

Instalou se uma não disfarçada disputa por leitores. As emissoras de rádio — várias — com suas equipes de reportagem reproduziram os textos dos jornais e ampliavam os noticiários.

Cada pazada uma minhoca e cada minhoca um peixe, no dizer da época.

Esse escândalo cinquentenário é um dos tantos assuntos que podem ser conhecidos ou lembrados graças ao belo trabalho do Núcleo de Documentação Histórica (ICH- UFPel) que reuniu jornais da época e os digitalizou e os colocou para consulta gratuita pela internet.

Esse caso parece roteiro de filme de espionagem, mas surpreenden­temente aconteceu em Pelotas.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome