Complicações, enredos, distúrbios, confusões, atrapalhações, desordens, histórias, tumultos, alvoroços, embrulhadas, desorganizações, balbúrdias, barafundas, badernas, bagunças, banzés, imbróglios, trapalhadas, pandemônios, forrobodós, rebuliços, salsadas, fuzuês, bodes, galhos, enrascadas, alhadas.
Não se trata de nenhuma dessas encrencas. A encrenca que eu falo é daquela vendida nas ruas de Cachoeira do Sul. O encrenqueiro (vendedor de encrenca) avisa de sua chegada tocando um triângulo de metal que emite um som alto e agudo que de longe se ouve. A criançada toda corre em alvoroço quando o escuta.
Carrega nas costas um cilindro metálico cheio de encrencas. A iguaria tão festejada é um cone do tamanho de um funil médio, feito com uma massa que é prensada naquelas prensas planas, super aquecidas, tipo de hambúrguer. A seguir, é colocada por fora de um cone de aço inox para tomar forma. Assim que esfria, é embalada em um cone de papel, para não perder a crocância, e colocada junto com as outras encrencas no cilindro de transporte do encrenqueiro.
O aspecto final é de um cone bronzeado, da cor das casquinhas de sorvete, porém, com a espessura de uma hóstia. À mordida, revela pelo sonoro crééék, crééék, sua deliciosa crocância. O sabor que excita as papilas gustativas se assemelha ao das melhores casquinhas de sorvete. Difícil comer uma só.
Só uma família detém há anos o monopólio da fabricação e distribuição das encrencas. O encrenqueiro mais popular é conhecido pelo codinome de Tarzan.
Visitando Cachoeira, se ouvir o tilintar do triângulo, corra! Corra, pois lá vem Tarzan e suas encrencas. Corra ligeiro para pegar a sua, pois logo termina…
Por Ciro Mombach
Médico



