Os aficionados por cinema devem lembrar de Imensidão Azul como um grande filme de Luc Besson que foi sucesso nos anos 1980, porém, essa temática hoje em dia extrapolou as telas e se tornou um grande catalisador de oportunidades econômicas, sociais e ambientais.
Estamos falando aqui de uma outra imensidão azul, a Economia Azul, um dos assuntos mais comentados em Fóruns e Summits internacionais da atualidade, uma vez que os mares são responsáveis por 71% da superfície da terra e dele provém uma infinidade de recursos que, sendo utilizados de forma sustentável, se tornam uma grande estratégia de desenvolvimento para qualquer território, cidade ou país.
Somente no Brasil, há 448 municípios distribuídos em 17 Estados, que têm uma relação direta com a economia do mar, ou seja, o país possui a maior costa litorânea do mundo, com mais de 8 mil quilômetros de extensão, tendo o mar como recurso ou meio podendo interagir com diversos setores econômicos, que vão desde a indústria à bioeconomia, dos transportes à segurança, do comércio ao setor energético, e muitos outros geradores de riqueza e oportunidades, quando explorados de maneira correta. Portanto, é possível considerar o Brasil como uma das maiores imensidões azuis do planeta.
O “Azul” na economia brasileira representa cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, considerando suas atividades mais representativas na pesca, na atividade portuária, na aquicultura, no transporte marítimo, no turismo litorâneo e na energia offshore, onde somados, geram mais de 2 milhões de empregos diretos e indiretos.
Algo deste tamanho já está literalmente descrito no hino nacional como “gigante pela própria natureza”, a natureza das águas. É uma dádiva natural a ser explorada, e que gera potentes frutos para o desenvolvimento econômico e social do país dada a grande necessidade mundial de prover recursos alimentares, biotecnológicos ou ambientais, à exemplo dos que temos aqui. A humanidade precisa disso, e o Brasil precisa saber como promover e acelerar esse desenvolvimento.
Ainda assim, é necessário vencer importantes desafios para surfar a onda da Economia Azul com toda a força e explorar sustentavelmente suas oportunidades, sejam elas relativas aos recursos vindos do mar ou mesmo para quem quer empreender com o mar. Desafios como conhecimento técnico, regulamentações, financiamentos, sustentabilidade e mudanças climáticas, são de essencial aprendizado visando a melhor construção de uma lógica empreendedora neste campo da economia, e podem impulsionar o processo de desenvolvimento de maneira salutar através da temática azul.
É preciso somente agir de forma consciente e implementar ações sustentáveis de longo prazo, que irão contribuir para o avanço do Brasil como referência mundial em Blue Economy nos próximos anos.
Seja na ficção ou na realidade, o fato é que existe uma imensidão azul com seus recursos disponíveis para a melhoria da sociedade. É um convite não apenas para explorar os oceanos de maneira econômica e sustentável, mas também uma proposta de ação para preservar os recursos naturais dos mares, para que o azul continue sendo a fonte infinita de vida e progresso.
Por Ciro Vives
Gerente da regional Sul do Sebrae RS




