
No próximo dia 8 de agosto, estudantes de Canguçu concluem a Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), curso ofertado em parceria com o Polo UAB Canguçu e voltado à formação de professores para atuar nas comunidades rurais.
Formação voltada à realidade do campo
Vale lembrar que o Polo UAB Canguçu é uma unidade física do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). O espaço funciona como polo de apoio presencial para cursos de ensino superior na modalidade de educação a distância, permitindo que moradores de Canguçu e da região tenham acesso gratuito a graduações, pós-graduações e cursos de capacitação oferecidos por instituições públicas.
Entre os cursos ofertados está a Licenciatura em Educação do Campo, criada em 2017. A graduação atua com um formato de ensino direcionado às especificidades do viver e produzir no campo.
“Ele surgiu para ter um olhar diferenciado, entendendo como atender os filhos e as filhas de agricultores e agricultoras, principalmente da agricultura familiar”, conta Liziany Muller, professora da universidade.
Além da proposta pedagógica, o professor formador da UAB, Ivanio Folmer, explica que os conteúdos dialogam com a realidade das comunidades onde os estudantes estão inseridos. Segundo ele, essas políticas vêm se consolidando ao longo dos anos, com a criação de diretrizes específicas para os povos do campo, que hoje já contam com políticas voltadas às suas necessidades.
“Dando importância e voz aos povos que estão originalmente situados em territórios rurais. O curso, por si só, já nasce dos movimentos sociais, que é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), onde se organizam e criam um movimento de educação para os filhos dos camponeses. A partir de muita luta, de muito movimento, que se constitui uma educação do campo através de políticas públicas”, relembra.
A graduação na prática
Essa proposta também é percebida por quem está concluindo a graduação. “Sou técnica em agricultura e filha de produtores rurais. Sempre fui apaixonada pela área das ciências humanas e pelas pautas relacionadas ao meio rural, que são fundamentais para o nosso município”, relembra Kelin Fonseca, formanda do curso.
Segundo ela, a união entre a educação do campo e as ciências humanas foi o principal motivo para escolher o curso. “Canguçu possui uma grande riqueza cultural, que pode ser vista em eventos como a CIENA (cultura gaúcha), a FESTCAP (cultura alemã e pomerana) e a FestQuilombola (cultura afro-brasileira). Esse curso prepara profissionais para compreender essa realidade e valorizá-la dentro da educação, atendendo a uma grande parcela dos estudantes do nosso município”, pontua a estudante.
Na avaliação da estudante, a educação a distância democratiza o acesso ao ensino superior, especialmente para quem enfrenta dificuldades de deslocamento. Segundo ela, a convivência com colegas dos seis polos da “Turma 3” permitiu conhecer diferentes realidades ao longo da graduação.
“Pessoas que moram em localidades distantes, pais atípicos, trabalhadores com horários incompatíveis com aulas presenciais, entre tantos outros casos. A modalidade EAD tornou possível que todos eles realizassem o sonho da graduação”.
Ela também destaca a importância do Polo UAB Canguçu para sua formação e o apoio da coordenação ao longo da graduação. “Foi essencial para que eu conseguisse concluir a graduação. Não possuo veículo próprio nem habilitação, e o fato de o polo estar próximo facilitou muito minha participação nos encontros presenciais”.
“Fomos recebidos de portas abertas, inclusive em dias em que o polo nem estaria em funcionamento. (…) Gostaria de agradecer à coordenadora Viviane Passos, aos demais colaboradores do polo e também à parceria da Prefeitura Municipal. Espero que o polo continue recebendo investimentos e fortalecendo sua parceria com a universidade, para que cada vez mais cursos possam ser ofertados à nossa comunidade”, finaliza.
Com a conclusão da graduação, a expectativa é atuar na área e dar continuidade aos estudos. “Quero contribuir para uma educação inclusiva, em que os estudantes consigam relacionar os conteúdos com a sua realidade, sua comunidade e sua própria vivência, tornando a aprendizagem mais significativa”, finaliza.



