
Aos 24 anos, o canguçuense Yan Cavallin decidiu deixar Joinville (SC) para retornar ao campo, onde concilia a profissão de jornalista com o trabalho na propriedade da família. Formado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ele atua em home office com marketing digital e produção de conteúdo, ao mesmo tempo em que acompanha as atividades agrícolas ao lado do pai, agricultor.
“A correria da cidade, a vida agitada, começou a cobrar o preço na minha saúde. Sou uma pessoa que gosta de trabalhar com tranquilidade para pensar e executar as tarefas. Comecei a refletir o quanto me fazia bem estar no interior. Com a possibilidade de me mudar pra chácara, não pensei duas vezes… e foi a melhor escolha que eu poderia fazer. A rotina melhorou, minha saúde melhorou e, principalmente, minhas atividades voltadas pra criação de projetos”, relembra.
O jovem concilia diferentes atividades graças à organização da rotina. Além de auxiliar na produção agrícola da propriedade da família, também aplica seus conhecimentos em comunicação para ajudar o pai a modernizar o trabalho no campo por meio das redes sociais.
Uma nova geração no interior
Uma pesquisa realizada em 2024 pelo instituto Pew Research Center aponta que a Geração Z tem priorizado um estilo de vida diferente daquele adotado por gerações anteriores. Em busca de uma rotina mais simples, muitos jovens têm optado por morar no interior, longe dos grandes centros urbanos. Os dados mostram que mais de 60% dos participantes preferem qualidade de vida ao status profissional, em contraste com gerações anteriores.
Entre os fatores apontados pela pesquisa está a possibilidade do trabalho remoto. Essa também é a realidade de Yan, que atua com marketing digital e, em home office, concilia a produção de conteúdo para empresas parceiras com o trabalho como social media.
Segundo dados do Censo Demográfico de 2022, 87,5% da população do Rio Grande do Sul vive em áreas urbanas. Na região Sul do Estado, a população rural soma 119,4 mil pessoas. Ao longo das últimas décadas, o êxodo rural contribuiu para a concentração da população nos centros urbanos, principalmente entre os jovens em busca de oportunidades de estudo e trabalho.
Ainda assim, histórias como a de Cavallin mostram que parte dessa geração voltou a enxergar o campo como uma alternativa para empreender e buscar uma rotina diferente. “Na verdade, o interior me ajuda a executar e conciliar todas as minhas atividades”, comenta.
Onde tudo acontece
A Chácara Cavallin é o espaço onde Yan compartilha com a família o cuidado com a terra e o cultivo de frutas, como laranjas e bergamotas. Localizada na localidade da Cascata, no interior de Pelotas, a propriedade cultiva cítricos desde 1972 e, em março deste ano, lançou o Café de Bergamota e Mel, um produto colonial com notas sensoriais de bergamota e mel de laranjeira, produzido na própria chácara.
“Temos a nossa marca que é onde moramos, Chácara Cavallin, onde meu vô sempre produziu o cultivo de bergamotas, laranjas, pêssego, ameixa. Essa tradição segue com o meu pai, e eu decidi voltar pra trazer um novo conceito voltado pra modernização e redes sociais, são projetos futuros que já começam a dar passos pequenos, mas pensados com muito carinho”.
O campo nas redes sociais
A rotina no interior também faz parte do conteúdo que Yan compartilha nas redes sociais. Em publicações que mostram o dia a dia na chácara, o jornalista procura retratar a experiência de viver no campo.
“Gosto de contar histórias, de passar uma boa energia às pessoas, viver no campo me faz sentir isso, minha criatividade melhora, minha vida pessoal e profissional fica mais leve, e tudo que falo em alguns vídeos que compartilho, vivo aqui na chácara.”
Convencido de que fez a escolha certa, o canguçuense afirma que não se arrepende da mudança e deixa uma mensagem para quem considera fazer o mesmo.
“Hoje o campo é uma tendência, muitas pessoas querem voltar pro campo, e se eu pudesse deixar uma mensagem, pensem com carinho, porque vale a pena”, finaliza.



