Procissão, bênção dos veículos e missa marcam a 41ª Festa de São Cristóvão em Pelotas

A concentração ocorrerá às 8h, na Paróquia São Cristóvão, localizada na rua Lindolfo Collor, nº 70. (Foto: Álvaro Guimarães)

Reunindo fé, devoção e sentimento de pertencimento e comunidade, a tradicional Festa de São Cristóvão chega a sua 41ª edição em Pelotas. Entre o tríduo, dedicado a orações e súplicas, a procissão com a benção aos veículos, almoço e missa de encerramento com o Sacramento do Crisma, a festividade se consolida como uma oportunidade de obter maior confiança e paz frente à insegurança no trânsito.

Segundo dados da Secretaria de Trânsito do município, somente no primeiro semestre do ano, foram registrados 943 sinistros com danos materiais. Amplamente conhecido na tradição católica como o padroeiro dos motoristas e viajantes, São Cristóvão tem uma grande importância diante desses números, conforme o padre Jaime Souto. “Nós estamos vendo acidentes todos os dias. Agora não só nas estradas, nas ruas também. É interessante que vem muito caminhão, mas também vêm ambulâncias, ônibus, vans, táxis, motos e até bicicletas. O pessoal quer ganhar a bênção. Para eles, significa realmente que são filhos de Deus e que Ele vai estar protegendo os caminhos”, afirma.

A concentração ocorrerá às 8h, na Paróquia São Cristóvão, localizada na rua Lindolfo Collor, nº 70. A imagem do santo será conduzida em um caminhão decorado, dando início a uma procissão de aproximadamente 22 quilômetros, passando por bairros como Fragata e pela avenida Fernando Osório. Em 2025, mais de mil veículos participaram do cortejo, totalizando cinco horas de benção. Para esta edição, a organização pretende ultrapassar os números, e organiza em torno de 1.200 lembrancinhas.

Organização mobiliza voluntários

Para a realização da comemoração, diversas pessoas exercem um papel importante. O casal festeiro José Antônio Reis e Maria da Graça Reis afirma que o convite para a função veio de surpresa durante uma missa, da qual são frequentadores assíduos. “O padre nos convidou e aceitamos imediatamente”, dizem. Para eles, a sintonia entre os casais festeiros é fundamental para o sucesso da festa, que tem uma preparação de dois meses e envolve reuniões e eventos.

Reis e Maria da Graça contam que, no ano passado, nem a chuva impediu a adesão dos motoristas e, agora, a organização espera esse mesmo movimento. “O dia do evento será marcante, com a procissão e bênção aos caminhoneiros e todos os motoristas que passarem pela igreja. No ano passado, chovia muito, mas mesmo assim estavam todos lá para essa festa tão bonita e significativa”, detalham.

Além da missa tradicional, a paróquia pede doação de alimentos, cobertores e roupas. (Foto: Divulgação)

Proteção e esperança

Para o padre, do ponto de vista religioso, toda procissão fica no imaginário do povo como uma caminhada junto do santo e de Deus. “É como eles dizem: ‘Eu não vejo Deus, eu não vejo São Cristóvão, mas tenho certeza de que ele está aqui conosco’. No mundo em que nós estamos vivendo, com tanto medo e tanta insegurança, ter a certeza de que Deus está junto da gente é algo muito positivo”, completa.

Conforme ele, houve uma mudança no perfil dos participantes ao longo do tempo. “Hoje em dia vêm muitas transportadoras, muitas senhoras dirigindo, diversos jovens caminhoneiros. Na Covid-19 houve uma pequena queda na procissão e na festa, mas não foi tão grande. De ano para ano aumenta a participação. O pessoal está buscando mais as coisas da fé”, pontua.

Solidariedade na caminhada

Segundo Souto, o tema da festa deste ano é “Como peregrinos da esperança, solidariedade na caminhada”. A temática reflete o objetivo da paróquia de exercer a caridade. “Nós estamos pedindo cobertores, porque o frio está muito grande. Também estamos pedindo alimentos. Desta vez essa solidariedade é com outro projeto ligado à paróquia, que é o Projeto Reis Magos. Quem quiser doar alimentos, cobertores ou roupas pode entrar em contato, que também sejam solidários no trânsito. A gente pode usar o veículo para ajudar alguém que não tem condições”, diz.

O coordenador paroquial Rogerio Ness relata que a caridade sempre fez parte da celebração. “Fazíamos também um almoço para cerca de 800 motoristas, sem custo para eles, no SEST SENAT. Mas, como o local está em obras, no ano passado não pudemos fazer e este ano também não vai ser possível, somente o da paróquia, no domingo. Esperamos que, quando terminar a obra, possamos retornar à ação”, detalha.

Para Ness, chegar a 41ª edição representa o serviço em conjunto da comunidade, que nasceu em um ponto crítico de sinistros na cidade. “Eu acho que o importante é a união e essa disponibilidade de mostrar solidariedade, esse trabalho coletivo, a paróquia nasceu por isso. As atividades são ricas e cada vez mais as pessoas chegam. Hoje nós vivemos num mundo muito desenfreado. O motorista, quando está na estrada, não consegue controlar tudo o que acontece. A festa representa a busca dessa proteção”, ressalta.

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