Fetag luta pelos direitos dos agricultores e pecuaristas familiares gaúchos

Presidente da Fetag-RS defende fortalecimento do ProAgro, políticas de mitigação de riscos e medidas para garantir renda e permanência das famílias no campo. (Foto: Ketruin Jardela)

Após uma sucessão de eventos climáticos severos que, nos últimos sete anos, provocaram o endividamento de milhares de famílias de pequenos agricultores gaúchos, a expectativa de que 2026 seria um ano de normalidade para a atividade agropecuária foi frustrada pela previsão de um novo evento de El Niño. Diante desse cenário, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Eugênio Zanetti, defende que os produtores, especialmente os agricultores familiares, precisam estar preparados para enfrentar os eventos climáticos extremos. “Viemos desde 2019 enfrentando vários eventos climáticos, estiagens consecutivas e a enchente de 2024, sem precedentes, que ainda deixa muitas cicatrizes pelo Estado afora”, afirma.

Segundo Zanetti, é fundamental fortalecer mecanismos de proteção ao produtor rural, como um seguro agrícola eficiente e um Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (ProAgro) mais adequado.

“É necessário um seguro, um ProAgro adequado, que ampare e proteja o agricultor quando ele tiver perdas em consequência desses eventos climáticos. Isso é o que a gente busca e defende, além de medidas de preparo para quando vierem essas intempéries, sejam enchentes ou estiagens”, ressalta.

De acordo com o presidente da Fetag-RS, o Rio Grande do Sul possui mais de 700 mil pessoas ocupadas na agricultura familiar, abrangendo perfis bastante distintos, desde agricultores e pecuaristas familiares do Pampa Gaúcho até produtores altamente tecnificados da Serra, do Vale do Caí e do Litoral. “É um perfil diverso, mas todos eles têm pontos em comum, que são a resiliência e o empreendedorismo, pois colocam a semente na terra sempre com a esperança de que a próxima safra será melhor”, destaca.

O trabalho da Fetag-RS, segundo Zanetti, tem se concentrado na defesa dos agricultores, especialmente na busca por soluções para o endividamento rural e na construção de políticas públicas voltadas à mitigação dos riscos climáticos. “Somos incansáveis na busca por esse seguro, seja em Brasília ou junto ao Governo do Estado, buscando soluções para que não se chegue a extremos como estamos vivendo, de perdas sucessivas devido aos eventos climáticos”, explica.

Atualmente, observa, o agricultor assume sozinho a responsabilidade pela produção de alimentos e praticamente todo o risco da atividade. “Como presidente da Federação, vou estar sempre buscando melhores condições para que o jovem possa permanecer no campo e o produtor continue na produção de alimentos”, salienta.

Para Zanetti, ser agricultor representa muito mais do que uma profissão. “O agricultor precisa de renda e dignidade para sua família. Ele tem importância fundamental para toda a sociedade, não apenas na produção de alimentos, mas também na questão social, no desenvolvimento das comunidades e na movimentação da economia local”, diz.

Ao longo dos últimos anos e, especialmente, em 2026, a agricultura familiar ampliou sua presença nas principais feiras do agronegócio, tanto estaduais quanto regionais.

“Uma importante conquista da agricultura familiar foi a ampliação dos espaços nas principais feiras, desde as grandes, como Expointer, Expodireto e Expoagro Afubra, até as feiras municipais”, frisa.

Segundo ele, iniciativas como o Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento de Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper) e o Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) têm contribuído para ampliar as oportunidades de comercialização dos agricultores familiares e das agroindústrias gaúchas.

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