Escolinha de Trânsito aposta na educação como caminho para prevenção durante a Fenadoce

Secretaria desenvolve trabalho com crianças na Feira há mais de vinte anos (Foto: Arquivo/Secom)

Enquanto percorrem a pista da Escolinha de Trânsito, crianças são instruídas a respeitar sinalizações, observar o semáforo e atravessar corretamente a faixa de pedestres. A brincadeira dura poucos minutos, mas rende ensinamentos e noções de segurança que passam a fazer parte da rotina de inúmeras famílias.

Há cerca de 22 anos na Fenadoce, a Escolinha de Trânsito da Secretaria de Transporte e Trânsito (STT) de Pelotas recebe crianças de diferentes idades em um circuito que reproduz o cotidiano das ruas. Com bicicletas, triciclos, carrinhos elétricos e demais ferramentas, a atividade busca aproximar o público infantil das normas de circulação desde cedo, apostando na conscientização como caminho para prevenção de acidentes.

Responsável pelo setor de Educação para o Trânsito da STT, Benhara Dias explica que a iniciativa parte do entendimento de que conhecer a legislação, por si só, não é suficiente. “Não basta conhecer as regras, temos que respeitá-las. Para isso nós apostamos nas crianças, que acabam levando isso para dentro de casa e cobrando os pais também”, conta.

Esse retorno é percebido ano após ano da Feira. Conforme Benhara, muitas famílias que retornam à Fenadoce passam pela Escolinha e compartilham mudanças de comportamento que começaram justamente depois da visita ao percurso.

“Eles retornam e dão aquele feedback. Contam que, a partir do momento em que estiveram aqui, o filho começou a cobrar o uso do cinto ou o respeito ao sinal. Para nós, isso é muito gratificante”, afirma a agente de trânsito.

Aprendizado na prática

O circuito reproduz situações comuns para que crianças aprendam na prática. Ao longo do percurso, elas são orientadas a observar placas, respeitar a sinalização horizontal, compreender o funcionamento do semáforo e agir diante de diferentes contextos.

Além da condução, a atividade também reforça hábitos de segurança. Antes mesmo de iniciar o trajeto, quem escolhe a bicicleta recebe um capacete. Nos carrinhos, a primeira orientação é colocar o cinto de segurança.

“A gente orienta sobre a faixa de pedestres, quando existe semáforo e quando não existe, porque muda a questão da prioridade. São coisas que acabam marcando e que eles levam para a vida”, explica.

A estrutura recebe crianças entre as idades iniciais, até o início da pré-adolescência. Os menores podem utilizar triciclos e, quando necessário, os pais são convidados a acompanhar os filhos durante o percurso. O espaço também oferece atividades complementares como desenhos para colorir, ampliando as possibilidades de aprendizagem.

Propósito que segue durante o ano

Embora a Escolinha de Trânsito seja uma das atrações da Fenadoce, o trabalho desenvolvido pela Secretaria não acaba depois da Feira. A presença no evento, porém, fortalece o vínculo com as escolas que frequentemente procura a equipe para levar as atividades às salas de aula.

Segundo Benhara, muitos professores conhecem o projeto durante as visitas escolares à Fenadoce e, posteriormente, entram em contato em busca de palestras e oficinas. As atividades são adaptadas conforme a faixa etária dos estudantes.

Com adolescentes, por exemplo, a equipe utiliza óculos simuladores que reproduzem os efeitos da embriaguez, da privação de sono e do uso de drogas, permitindo que os alunos reconheçam os riscos envolvidos.

“Às vezes, chegam adolescentes aqui [na Fenadoce] e dizem: eu vim na Escolinha quando era criança. Sempre existe essa troca, e isso é muito legal, muito gratificante”, conclui a responsável.

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