A lida diária nas estradas de São Lourenço do Sul

Há 22 anos na atividade, transportador percorre centenas de quilômetros por dia para garantir que a produção leiteira chegue à indústria. (Foto: Divulgação)

Carlos Alberto Radtke trabalha como transportador de leite há 22 anos em São Lourenço do Sul. Morador da localidade de Boqueirão, ele cresceu em Monte Alegre, onde trabalhava com os pais. Aos 18 anos, mudou-se para a propriedade do sogro para ajudar na produção de tabaco.

Além da lida com o fumo, o sogro atuava como transportador de leite da antiga Elegê. Quando encerrou o contrato com a empresa, deixou a atividade. Algum tempo depois, surgiu uma nova oportunidade. “Dois anos depois surgiu a oportunidade de ele transportar leite para a Pomerano. Porém, ele não tinha mais a habilitação, porque tinha visão monocular, e eu acabei entrando na jogada. Fiz a carteira e comecei a dirigir o caminhão”, conta Radtke.

A parceria com o sogro durou dois anos, período em que os dois revezavam as funções de motorista e ajudante. Quando o sogro decidiu deixar definitivamente a atividade, Radtke assumiu sozinho a responsabilidade pelo transporte. “Eu jamais me imaginei trabalhando em caminhão. Antes das rotas, eu trabalhava no tabaco com o sogro e, nos finais de semana, era músico, por cerca de sete anos”, relembra.

Hoje, a empresa familiar conta com dois caminhões que realizam a coleta diária de leite e emprega quatro funcionários. “Meus cunhados Guilherme e Mário, meu genro Mateus e meu filho Lucas. Hoje, eu trabalho um dia sim e outro não. Nós atendemos cinco rotas: duas no interior de São Lourenço do Sul e três no interior de Pelotas. Em São Lourenço, uma rota tem 90 quilômetros e a outra, 110 quilômetros. Outra rota, que passa pela Colônia Osório, abrange cerca de 220 quilômetros. E tem um dia que eu faço dois percursos, que somam 360 quilômetros”, relata.

Ao todo, cerca de 100 produtores são atendidos nas rotas, além de outros cinco atendimentos diários. Atualmente, são transportados, em média, 24 mil litros de leite por dia.

Segundo Radtke, o principal desafio da profissão continua sendo as condições das estradas rurais. “Eu tive um caminhão novo que, em dois anos, se liquidou. Tenho fotos que mostram os perrengues que passei. Tem lugares em que eram necessários três ou quatro tratores para desatolar. Agora está em uma condição razoável, mas já passamos muito trabalho”, destaca.

Durante o inverno, o excesso de chuvas torna a situação ainda mais difícil, comprometendo a trafegabilidade e aumentando os riscos.

O transportador lembra que chegou a tombar um caminhão devido às condições precárias da estrada. “Comprei o caminhão no final de 2021 e, em outubro de 2022, tombei ele. Precisei reformar o tanque, a cabine e ainda teve o prejuízo da perda do leite. Por sorte, a Coopar/Pomerano me auxiliou nesse sentido. Mas o prejuízo ficou em torno de R$ 90 mil”, relembra.

Para Radtke, o transporte de leite é uma atividade essencial para o funcionamento de toda a cadeia produtiva. “O produtor depende de mim para carregar a produção, a empresa espera que eu traga o produto e eu dependo do serviço para ter minha renda. Nada funciona sozinho”, salienta.

Além da responsabilidade de cumprir horários, o transportador também precisa garantir a qualidade da matéria-prima durante todo o processo. Entre as atribuições estão a coleta e análise das amostras de leite, a higienização do tanque e a manutenção periódica dos caminhões.

“Nós recebemos treinamento anual para ter o certificado e poder atuar como carregador. Precisamos caprichar na coleta e temos que lavar o caminhão antes de entrar na empresa para tirar poeira e barro. Todo o processo é realizado para manter a qualidade do produto e evitar penalizações”, explica.

Apesar da satisfação com a profissão, Radtke já começa a planejar uma rotina menos intensa. “Para o ano que vem, meu filho está planejando tirar a carteira para dirigir caminhão e talvez eu dê uma parada, fique de coringa para o caso de alguém precisar de folga. Vou dar uma descansada e, talvez, voltar a me dedicar à música”, planeja.

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