Olhando as nossas “Reginas”

Dom Jacinto Bergmann. Foto: Divulgação

Segundo domingo de maio, é Dia das Mães. Olhamos para as nossas mães. Olho
para a minha “Regina” – nome de minha mãe já falecida há 36 anos e com significado
latino de rainha. Cada um olha para a sua “Regina”, com o nome que, cada uma das
respectivas mães, possuem.

Quero olhar para minha “regina”. Convido a todos a olharem para suas “reginas”.
Olhá-las sob o olhar de Maria de Nazaré, a mãe do Filho de Deus, e assim, a mãe de
todos os seus irmãos – todos nós.

Olhemos as nossas “reginas” sob o olhar de Maria de Nazaré neste tempo pandêmico,
no qual estamos fazendo uma experiência de finitude e impotência, já maturada em
485 dias de 14 semanas (conta iniciada no mês de março/2020 até o fim de
abril/2021). No distanciamento social, com todas as suas consequências pessoais,
familiares e sociais, como olhar para as nossas “reginas” sob o olhar de Maria de
Nazaré? Elas que são as geradoras e cuidadoras da vida nesta realidade de ameaça
da vida, e todos, de uma forma e outra, experimentando de perto a morte?

Um texto de um hino de cunho religioso muito apreciado nos momentos de
celebrações litúrgicas e de encontros comunitários, pode ajudar para olharmos as
nossas “reginas” sob o olhar de Maria de Nazaré. Um hino que toca o nosso coração.
Trago, nas linhas que seguem, o texto do hino com a reação do meu olhar.

Primeira estrofe: “Um dia Maria deu o seu “sim”, mudou-se a face da terra, porque pelo
“sim” nasceu o Senhor e veio morar entre nós o amor”. Maria de Nazaré foi a mulher
do “sim”. Nela, o “sim” teve seu auge: mudou a face da terra, fez nascer o senhor da
história, fazendo morar o amor entre a humanidade. Sob o olhar dessa mulher do
“sim”, também nossas “reginas” são mulheres do “sim”. Graças, também, a esse sim
delas, muda constantemente a nossa face, fazemo-nos senhores da história e criamos
uma civilização do amor.

Segunda estrofe: “Ensina-me a ser fiel como tu, vivendo meu “sim” cada dia. Que eu
possa no mundo ser um sinal da tua fidelidade, Maria”. Maria de Nazaré criou a Escola
do “sim”. Nessa escola aprende-se e vive-se o “sim” no dia-a-dia, formando pessoas
como sinais de fidelidade. Sob o olhar da Escola do “sim” de Maria de Nazaré,
também as nossas “reginas” inauguram e desenvolvem tantas escolas do “sim”.
Graças a essas escolas, aprendemos a fidelidade, cada vez mais rara em nossos
tempos, e somos forjados sinais de uma civilização do amor.

Estrofe: “Maria do ‘sim’, ensina=me a viver meu “sim”. Oh, roga por mim: que eu seja
fiel até o fim”. Neste segundo ano pandêmico consecutivo do Dia das Mães, temos os
olhos fixos em ti Maria de Nazaré, Maria do “sim. Neste segundo ano pandêmico
consecutivo do Dia das Mães, temos os olhos fixos em vós “reginas”, mulheres do
“sim”. Ensinai-nos a viver o nosso “sim”. Rogai por nós para que sejamos fiéis até o
fim. Entremos nas “Escolas do sim” de Maria de Nazaré e de nossas “reginas e a
pandemia será inclusive um grande aprendizado do “sim”. O “sim” deve ser mais forte
que o “não”!

Feliz Dia das Mães, olhando para vós, nossas “reginas”, sob o olhar da humana e
divina, da pequena e grande Mulher do “sim”, Maria de Nazaré!

Dom Jacinto Bergmann, Arcebispo Metropolitano da Igreja Católica de Pelotas.

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