Essa Lei foi criada por Edward Murphy (1918-1990), um engenheiro espacial norte-americano. Em 1949, ele estava fazendo experimentos para conferir a respiração e os batimentos cardíacos de pilotos, com o fim de analisar como a desaceleração afetava o corpo deles.
O técnico responsável por instalar o equipamento cometeu um erro: colocou ao contrário as peças necessárias para a pesquisa. Assim, o teste não funcionou.
Murphy, então, enunciou sua lei.
Se algo pode dar errado, dará, da pior forma e no pior momento. Conhecida também como a lei do azar.
Todo dia nos defrontamos com esse adágio. O exemplo mais clássico é o da torrada, que sempre cai com a manteiga virada para baixo.
Com os médicos, essa lei se mostra especialmente malévola, tanto que se criou um fator de risco, o CRM+ (Conselho Regional de Medicina positivo). Se um médico (vale também para seus familiares) for usar uma medicação ou sofrer alguma intervenção, ou sofrer de alguma doença, pode esperar sempre pelo pior. Se dará por feliz um CRM+ que usar um remédio e não tiver choque anafilático ou urticaria, mas só uma diarreia de sete dias. Se for fazer cateterismo, é certo que aquela femoral que nunca se rompe, vai rasgar e vai sangrar. É por isso que os médicos tem medo ou até mesmo terror de tratar qualquer CRM+.
Se vamos viajar de férias, é certo que aquele despertador de confiança vai falhar ou não vamos ouvi-lo. E não adianta mudar de fila no pedágio porque a outra é sempre mais rápida, ou se tem passe livre, a cabine está em manutenção. Chegando à garagem do apartamento alugado, é certo que sua vaga estará ocupada. Se vamos jantar fora e temos a sorte de encontrar uma mesa vaga, pode contar que o ar condicionado gelado vai bater nas suas costas e esfriar a sua comida. Aquele garçom, com o nariz pra fora da máscara e tossindo bastante, é certamente o que vai nos atender.
Leônidas e Marta convidaram seu filho e nora, para juntos visitarem as ilhas gregas. Na véspera da viagem de volta, Marta disse:
– Leônidas, vai lá embaixo na recepção e pergunta se está tudo ok com as passagens.
– Mas Marta, o que que ele vai saber de passagens aéreas, tem que ser com a companhia aérea.
– Vai lá mesmo assim e leva o Junior junto contigo pra te ajudar.
– Tá bem, se isso te faz feliz.
E lá se foi o Leônidas com o Junior a tiracolo. Na recepção, encontrou o dono do hotel que era só gentilezas.
– Boa tarde, vamos embora amanhã, nosso voo é as 11 da manhã e queríamos que conferisse com a companhia aérea se está tudo ok. Como não falamos grego, achamos melhor pedir ao senhor.
– Claro, sem problema, posso ver as passagens?
Ao alcançar as passagens, Leônidas percebeu nele um franzir de testa preocupante.
– Mas o senhor me disse que o voo era de manhã, porém, aqui está marcado para as 11:00 PM, ou seja, esse voo só sai à noite.
Leônidas e o filho imediatamente se deram conta da mancada. Deu errado!
– E agora, pai?! vamos perder a conexão em Atenas!
O desespero tomou conta dos viajantes.
– Será que o senhor consegue ligar pro aeroporto e ver se tem outro voo nesse horário, disse Leônidas
O dono do hotel, muito gentilmente, ligou. E após muito grego pra cá e muito grego pra lá, conseguiu comprar quatro novas passagens para o meio-dia.
– Nem uma palavra disso pra tua mãe, ela me mata se souber, disse Leônidas ao filho.
Esperando o voo no aeroporto, chegando perto das 11, Marta inquieta pergunta:
– Mas o voo não era às onze? Cadê o avião? Tem certeza que está tudo certo?
– Te acalma, mulher! Tá tudo certo sim, sabe como são esses voos, sempre atrasam…
Chegaram bem em casa. Junior manteve o segredo, mas de alguma forma, muito tempo depois, Marta descobriu.
– Tu é um panaca mesmo, Leônidas! Imagine trocar as horas AM por PM, olha só o perigo que corremos, a gente não ia conseguir voltar.
– Te acalma, mulher! Eu não sei de ninguém que, sem querer, se perdeu em Atenas e nunca mais voltou pra casa…
Por Ciro J. Mombach
Médico



