“O gaúcho sem cavalo
Enxerga o pampa nas vilas.
Rastreando,
à custa de uns pilas,
esse resto de querência
zelado na renitência
dos galpões do CTG.
Compreenderá quem o vê,
estranho homem das ruas, recuerdo colhendo luas
ante os umbrais de cimento?…
Nas mãos de outra labuta
(destas fábricas febris)
o gaúcho sem cavalo
sente a saudade dos calos
talvez marca dos vassalos…
mas que exibia, feliz.
Agora, vazios de espora, amargo sal o salário,
Esparsas franjas de aurora
No horizonte de operário…
Cumpre os ponteiros do Tempo,
relógio louco e tirano –
Escutando um minuano
a roçar no fio da esquina.
E recorda pra menina
já com idade de escola,
os campos que ela não viu,
as pescarias de um rio,
as magias de um pomar,
as sinfonias da aurora…
E este gaúcho sem pingo,
Desde segunda que espera
rever alguma quimera
no rodeio de domingo.
Agora,
bebe o encanto
em léguas verdes de campo,
à quincha deste galpão…
E nas fábricas febris,
esse operário infeliz
não é desta vila, não:
seu espírito é campeiro,
campeando a terra querida,
contida no coração!”
Juarez Machado de Farias – Verso de Azul