Causos que só acontecem em Córrego das Pedras – Parte I

Kalunga Mello Neves, escritor, compositor e palestrante. (Foto: Divulgação)

Depois de muito lero-lero, padre Joaquim finalmente aceita os pedidos da primeira dama e da sua filha Laurinha e concorda em ce­der duas peças do salão paroquial para que sejam instalados ali uma biblioteca municipal e uma sala para realização de saraus intimistas e eventos em petit comitê.

— Se é para o bem da comunidade, quem sou eu para me opor? Disse ele, mostrando altruísmo, e generosamente contribuindo para a cultura local.

Soube-se depois que padre Joaquim solicitou em troca que o prefeito arrumasse uma boquinha na prefeitura para um protegido seu, coroinha por sinal, e que a biblioteca se chamasse São Joaquim, reconhecido como o pai da Virgem Maria e, consequentemente, avô de Jesus Cristo. Vocês sabiam?

Depois de concordâncias gerais, do “ok” do prefeito, Laurinha partiu para outra. Foi pedir ao gerente da emissora de rádio local, a FM Cór­reguense, um espaço para fazer um programa semanal de entrevistas. Conseguiria uns comerciais, é claro. Mais um sim sem pestanejar ouviu Laurinha. Outra missão exitosa teve final feliz.

Laurinha estava contente da vida. Muitas outras ideias fervilhavam em sua cabeça, encoberta por lindos cabelos cor de prata. Eis que ela avista Sergio Gatão, o enfant terrible da cidade, que a convida para tomar um chocolate quente com bolo de fubá.

— Mas não vais me cantar, né? – diz ela para ele.

— Estás me tomando por quem, gata? – diz ele, ar cínico que só.

Aí …

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