A herança do papa Francisco

O papa Francisco encontra-se – mais uma vez – em meio a uma discussão infindável a respeito da recepção dada ao ex-presidente Lula. Uma jogada inteligente de grupos políticos que têm católicos como integrantes e outros que sabem da repercussão que podem causar na mídia a simples perspectiva do fato, ou, em consequência, declarações, fotos e vídeos. Numa sociedade polarizada entre o “bem” e o “mal”, fica difícil dizer quem é quem, mas atiram-se pedras para todos os lados.

Assessores que já pensam em próximas eleições presidenciais movem suas peças no tabuleiro das relações internacionais e produzem “informações” facilmente repercutidas, especialmente pelas redes sociais. No entanto, mostram-se “surpresos” quando a grande mídia não lhes dá respaldo. Novamente, de ambos os lados, “pedra na Geni”, porque significa que os meios de comunicação são “comprados”, manipulados, a serviço do capital e não exercem seu papel de agente social.

Não creio na inocência da mídia – assim como não creio na inocência de nenhuma categoria profissional – mas conhecendo muitos dos profissionais que ali atuam – sei do esforço para, honestamente, desempenhar funções e ganhar o “pão nosso de cada dia”. Infelizmente, o que se vê são agentes políticos – ou com interesses não tão declarados – difamando tudo e todos, respaldados por uma moral duvidosa em que o que vale é o que seus interesses colocam em jogo e se dane o que os outros pensam ou fazem.

O fato em si de Lula ter sido recebido sem constar da agenda do pontífice significa que houve articulação e interesses que envolveram o Vaticano. Uma máquina de estado que muitas vezes não avalia corretamente o que está em jogo. A prepotência de achar que “sabem de tudo” impede consulta adequada a pessoas de bom senso dos países de origem e artimanhas são geradas por “marketing político” acostumado a valer-se de situações que exploram de imediato e em tempos de campanhas eleitorais.

Para a maior parte da população, infelizmente, não há como discernir entre o que faz o papa pastor e o papa mandatário de um estado, com representação internacional e uma carga pesada de homens que integram seus escalões fazendo carreira política. Herança da qual Francisco gostaria de se libertar e libertar sua Igreja para que exerça efetivamente seu papel, tendo como referência as virtudes teologais da fé, esperança e caridade. Um horizonte que a política(gem) teima em minar e desestimular.

Francisco conseguiu a simpatia de pessoas cansadas de “pastores” incapazes de atender ovelhas porque têm instituições e um ritualismo – na maior parte das vezes incompreensível – colocados em primeiro lugar. Cansados e dispersos – talvez seja exatamente isto que religiosos e seus críticos não veem – afastam até os poucos que manifestam o desejo de ter a sua fé articulada e vivenciada em uma religião.

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