A doença maldita numa causa bendita

O pessoal que serve uma refeição para moradores de rua embaixo do viaduto se juntou com as senhoras que oferecem serviço de embelezamento para as mulheres na mesma situação. Para os Cozinheiros do Bem já é uma rotina aos sábados reunir as panelas, fogão, ingredientes e uma turma cheia de disposição para prestar um serviço à comunidade. As “meninas” do Anjos de Batom também já atuam a bastante tempo junto à população carente. Agora eles têm uma segunda intenção.

O grupo que começou a fazer autênticas obras de arte com flores confeccionadas em fuxico ou croché não acreditava que o trabalho, inicialmente tão restrito, iria fazer com que os “buquês” se multiplicassem vindos de toda a cidade, região, estado e país. Quando os quadros foram parar no espaço onde as pessoas fazem a quimioterapia e a radioterapia fizeram a alegria daqueles (as) que, muitas vezes, nos corredores, aguardam a sua vez e veem no colorido um incentivo para não desistir…

Uma conhecida teve um câncer de garganta e muitas dificuldades para vencer o problema. Embora todos os percalços, não desistiu e poderia considerar-se uma vencedora. Algum tempo depois, ainda com sequelas do primeiro tratamento, veio novo diagnóstico: agora tinha um câncer no seio. As pernas ainda bambas com tudo o que passara e era preciso recomeçar. Sabendo do quanto havia sido difícil, porém incentivada por familiares e amigos que, hoje, servem de arrimo, mas ao longo de toda uma vida receberam dela carinho, força, energia e muita dedicação!

Outubro Rosa. Parece repetitivo, mas os Cozinheiros do Bem e os Anjos de Batom entraram de corpo e alma na campanha de combate ao câncer. Utilizam dos recursos que têm para incentivar aqueles que aceitam seus serviços a se prevenirem. As voluntárias que montam os quadros com as flores (algumas também venceram a doença) auxiliam no caminho a ser percorrido. Sabem que todo o tratamento precisa iniciar por um empurrãozinho carinhoso e a recuperação da autoestima.

Uma palavra amiga, uma prece, um olhar e a mão estendida para acompanhar cada passo, cada vitória, cada sinal de que os dias de tratamento estão contados. Hoje há muito mais facilidade de enfrentar o que antigamente era a “doença ruim”.

Especialmente o homem, com o câncer de próstata, e a mulher, com o câncer de mama, sabem que o melhor são os cuidados preventivos. A doença que ainda é estigmatizada como maldita, em muitos casos, ajuda a fazer um abraço coletivo de pessoas que, por variados motivos, a transformam numa causa bendita!

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