
O Tribunal do Júri absolveu Erick Roza, de 21 anos, da acusação de homicídio doloso contra Kerlon Silva Bueno, na segunda-feira (27), após 12 horas de embate entre Ministério Público e defesa, em Piratini. O crime ocorreu em 10 de dezembro de 2023, durante um desentendimento na Sociedade Recreio Piratiniense (SRP). A vítima, com 18 anos na época, foi esfaqueada com um canivete e morreu no local.
O julgamento ocorreu na Câmara de Vereadores. Para os jurados, Roza apenas se defendeu das agressões sofridas por Bueno. A decisão gerou tumulto no entorno da Casa Legislativa, principalmente por conta da indignação da família da vítima. A mais abalada foi a tia, Tatiana Oliveira, que conversou com a reportagem do JTR. “Meu sobrinho foi morto igual a um bicho, foi assassinado. Perdi minha irmã porque ele, esse rapaz, não é considerado um criminoso, pois para a justiça apenas se defendeu. Está solto novamente na sociedade para seguir matando. Isso é legítima defesa?”, disse.
A mãe da vítima, Adriana, morreu de câncer em junho deste ano. No entanto, para a irmã, Tatiana, a tristeza de perder o filho assassinado foi a verdadeira causa da morte. “A doença foi provocada em decorrência de ela, em nenhum momento, superar a perda do filho, o que a fazia chorar dia e noite”, contou.
Quanto à arma usada no crime, a mulher também protestou. “Entrar com um canivete numa festa não demonstra a intenção de ferir, de matar alguém? Foi considerado que o canivete era usado como instrumento de trabalho pelo assassino”, lamentou.
À época, a hipótese de Roza não ter sido revistado por integrar a equipe dos animadores do evento foi bastante discutida entre a gestão da SRP e a sonorização contratada. Contudo, essa possibilidade foi negada pelo proprietário da Sonorização Twister, bem como pela gestão da sociedade.
Tatiana finalizou fazendo um desabafo. “Deus levou minha irmã para que ela não passasse por mais essa tristeza de ver o assassino do filho dela, que deixou uma bebê, saindo livre do julgamento, após tirar a vida do Kerlinho”.



