Pavilhão da Agricultura Familiar tem espaço ampliado e maior número de expositores na 32ª edição da Fenadoce

Agroindústria Campeiro estreia no pavilhão da Agricultura Familiar com os produtos produzidos em Capão do Leão. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

O Pavilhão da Agricultura Familiar ganhou, nesta 32ª edição da Fenadoce, um espaço mais amplo, com corredores mais largos para a circulação dos visitantes e um maior número de bancas, o que possibilitou aumentar a participação de 80 para 93 expositores. De acordo com o assistente técnico regional de Agroindústrias da Emater/RS-Ascar, Renato Cougo, nos primeiros dias da Feira, incluindo o primeiro fim de semana, o espaço comercializou mais de R$ 400 mil. “Participam 93 expositores, sendo 77 agroindústrias, além de 14 empreendimentos de artesanato e dois de plantas, mudas e flores, oriundos de 43 municípios da região e do Estado”, diz. Ele destaca ainda a participação de 55 jovens na sucessão familiar e de 40 mulheres responsáveis pelos empreendimentos.

Da região, participam os municípios de Canguçu, São Lourenço do Sul, Pelotas, Morro Redondo, Turuçu, Santa Vitória do Palmar, Cerrito, Rio Grande, Pedras Altas e Capão do Leão, com 45 empreendimentos. A maior representação é de Pelotas, com 16 expositores. Do restante do Estado são 48 expositores dos municípios de Caçapava do Sul, Candiota, Santo Antônio da Palma, Três de Maio, Encantado, Imigrante, Hulha Negra, Picada Café, Joia, Pinto Bandeira, Frederico Westphalen, Marau, Gramado, Estrela, Presidente Lucena, Não-Me-Toque, Tupanciretã, Santo Ângelo, Nova Bassano, Veranópolis, Nova Pádua, Ilópolis, Novo Barreiro, Sete de Setembro, Barão, Paraí, Santo Antônio da Patrulha, Parobé, Colorado, Vera Cruz, Caiçara, Nova Roma do Sul e Nova Prata.

Na edição do ano passado, o espaço foi um dos grandes destaques em vendas, com mais de R$ 2,2 milhões em negócios. O pavilhão reuniu 80 empreendimentos de 38 municípios, oferecendo os mais diversos produtos, como doces, embutidos, aguardentes, licores, vinhos, sucos, panificados, derivados lácteos, como queijos e doce de leite, artesanato em lã, bambu e indígena, erva-mate, plantas e uma infinidade de outros itens. Entre os mais procurados pelos visitantes destacam-se os queijos, embutidos, vinhos, panificados e doces artesanais.

Cozinha caseira

Mãe e filha estreiam na Fenadoce com os produtos da Agroindústria Campeiro, de Capão do Leão. Márcia Eliane Macedo Vargas, de 52 anos, dedica-se à produção de alimentos há pelo menos 15 anos. Inicialmente produzia doces e pães para venda a domicílio e, posteriormente, administrou um café colonial, cujo nome Campeiro foi mantido na agroindústria. Os produtos Campeiro, produzidos por Márcia e pela filha, Emanuelle Macedo Vargas, de 26 anos, já são populares na Feira da Agricultura Familiar, realizada semanalmente, às quintas-feiras, das 8h ao meio-dia, na avenida Narciso Silva, no município. São doces e pães que agora estão disponíveis aos visitantes da 32ª Fenadoce.

“Para a Feira, nós trouxemos o pão caseiro tradicional, e também com torresmo e outro com linguiça, além do pão asmo, um pão quebrado, de massa fina e crocante, que faz o maior sucesso na feira local, chegando a vender 40 pacotes por vez”, ressalta.

Emanuelle explica que esse pão recebe vários nomes e possui um valor sentimental, pois desperta recordações de família em quem o adquire. “Tem quem chame de pão asmo, pão de chavasca, pão de pedra, pão de caçador e o nosso é o pão campeiro”, assegura. Segundo ela, já ouviu diversas histórias de consumidores aos quais o pão desperta memórias afetivas.

Elas também fabricam doces de abóbora, com e sem coco, figo em calda, além de chimia de pêssego e ambrosia, estes dois disponíveis na feira. Márcia explica que são duas agroindústrias que levam o mesmo nome: a dela é voltada a doces e conservas, enquanto a da filha produz panificados. Elas destacam que, já no primeiro dia da Fenadoce, venderam cerca de R$ 700. A maior parte das vendas é feita por encomenda, e elas também produzem cucas e bolos. “No domingo fizemos um teste da cuca com linguiça e fez o maior sucesso”, conta Emanuelle.

Bebidas artesanais são destaque

De São Lourenço do Sul, a Família Tessmann também estreia na Fenadoce com seus sucos e vinhos coloniais. Tiago Tessmann, de 26 anos, filho do empreendedor Márcio Ledir Tessmann, explica que o suco de uva é integral e o vinho é artesanal, fabricados há muitos anos pela família, cuja agroindústria foi legalizada há oito anos, em 2018. “Fizemos alguns investimentos em maquinário que nos possibilitaram aumentar nossa produção e agora estamos buscando ampliar nosso mercado, que era limitado ao município”, explica.

De São Lourenço do Sul, a família Tessmann traz seus produtos pela primeira vez. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

Tessmann conta que, já nos primeiros dias de Feira, os produtos tiveram boa aceitação pelos visitantes, tanto os vinhos quanto os sucos. A matéria-prima, a uva, é produzida pela própria família, tendo como carro-chefe a variedade Bordô, utilizada tanto nos vinhos, seco e suave, quanto nos sucos. O vinho é comercializado em garrafas PET de dois litros, tanto o seco quanto o suave, por R$ 25. As garrafas tradicionais de 750 ml custam R$ 18, nos dois tipos. O suco custa R$ 16 o litro e R$ 22 a embalagem de 1,5 litro. “Nosso suco é 100% integral, não tem adição de água nem açúcar, é uva Bordô pura”, assegura.

Adoçar ainda mais a vida

Outro estreante na Feira é o Apiário Tio Henrique, de Santa Vitória do Palmar, especializado na extração e beneficiamento de produtos das abelhas. O empreendimento traz o mel nas mais diversas apresentações e preços. De acordo com a esposa do produtor, Márcia Cardoso Garcia Sanches, que representa o apiário na Feira, esta primeira experiência tem servido para apresentar os produtos ao público, e muitos visitantes demonstram curiosidade pelo favo, oferecido em pedaços.

Márcia traz mel de Santa Vitória do Palmar. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

O mel centrifugado também é comercializado em diferentes embalagens e quantidades. “Muitos têm curiosidade em saber o que é o mel centrifugado”, ressalta.

Trata-se do mel líquido extraído dos favos por meio de uma máquina extratora, que retira o produto dos alvéolos em alta velocidade sem destruir os favos. Os consumidores podem adquiri-lo em embalagens de um quilo, 800 gramas, vidro de 400 gramas com favo e pegador, bisnagas de 350 e 500 gramas, além de potes de 250, 300 e 500 gramas.

Uma iguaria típica de Santa Vitória do Palmar, as famosas trancinhas folhadas de Natal banhadas em mel, também é oferecida aos consumidores. Segundo a produtora, esse alimento tornou-se patrimônio histórico do município. Entre os itens mais vendidos estão os favos, com ou sem pegador. “Também vendi bastante o pote de um quilo”, salienta.

Ela explica que o favo pode ser consumido junto com a cera, que é comestível. O nome Tio Henrique é uma homenagem ao marido, que mantém o apiário há 55 anos e preside a Associação dos Apiários de Santa Vitória do Palmar.

“Snacks” saudáveis chegam a Feira

De fora da região, a Agroindústria Familiar Frutos do Campo, do município de Joia, apresenta chips de mandioca e de batata-doce, com temperos e sabores variados, salgados e agridoces. Especializados na venda de mandioca descascada, em pedaços e congelada, há 18 anos, eles lançaram os chips no ano passado, durante a Expointer, onde fizeram grande sucesso.

Delviane representa a Frutos do Campo. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

Cortado bem fino e frito em óleo de algodão, o alimento fica seco e crocante. “O chips de mandioca e batata-doce surgiu da necessidade de lançar um produto para agregar valor e poder comercializar nas feiras, uma opção pronta para consumir”, salienta a produtora Delviane Frozi, que trabalha ao lado do marido, Sílvio dos Santos.

Quem passa pela banca de Delviane pode degustar os diferentes sabores oferecidos, como páprica defumada, cebolinha, salsa e alho, laranja com pimenta-preta, orégano, mostarda e batata-doce, além dos agridoces com canela, páprica defumada, alho, pimenta e açúcar mascavo. “Os temperos são naturais, desidratados e suaves”, acrescenta. O pacote custa R$ 12.

Um presente original

No artesanato, a canguçuense Veridiana Rutz Alves faz sucesso pelo segundo ano consecutivo com seus amigurumis confeccionados com fio de lã de ovelha tingida. Ela produz personagens da televisão, santinhas, orixás, bonecas e animais como elefantes, ovelhas, gatos, cachorros e sapos, entre outros. Um dos destaques é a formiguinha mascote da Fenadoce.

Ela conta que teve o primeiro contato com o crochê ainda na adolescência, quando a avó paterna lhe ensinou a fazer barrados de guardanapo. No entanto, a verdadeira vocação surgiu durante a convivência com a avó materna. “Quando eu me casei e fui morar no interior de Canguçu passei a conviver mais com a minha avó materna, que fazia crochê para se entreter.”

Pelo segundo ano consecutivo, Veridiana participa da Feira com seus amigurumis. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

Ela conta que sua primeira peça foi uma boneca, feita de presente para a irmã grávida.
No início, trabalhava apenas com linha de algodão. Posteriormente, passou a utilizar lã de ovelha, buscando dar destino ao produto gerado na propriedade, já que também cria ovinos. A lã é utilizada inclusive como recheio dos bonecos. O fio é adquirido de uma cooperativa local, e todas as peças são confeccionadas artesanalmente por ela. As peças custam a partir de R$ 50, variando conforme o tamanho e os detalhes.

O empreendimento está localizado na Coxilha do Fogo, interior de Canguçu, e, em 2019, ela participou da primeira feira. O registro como artesã rural veio após substituir o fio de algodão pela lã ovina, já que, para a legalização, é necessário que 80% da matéria-prima utilizada tenha origem na propriedade. “Todas as peças são 100% naturais, biodegradáveis e recondicionáveis”, salienta Veridiana.

Segundo ela, é comum clientes antigos procurarem-na para restaurar bonecos adquiridos anos atrás. “É um presente para a vida inteira”, finaliza.

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