Eduardo Silva
Um ataque envolvendo um cão da raça pitbull terminou com a morte de um pinscher e reacendeu o debate sobre a segurança nas ruas de Pelotas. O caso ocorreu no domingo (18), no bairro Simões Lopes, próximo ao centro da cidade, e deixou uma família em luto.
Caramelo, um pinscher de estimação de uma família local, morreu após ser atacado dentro de casa. O animal havia sido presente de um neto à aposentada Loeci Coelho Nunes, de 70 anos, há cerca de um ano. “Foi um presente do meu neto no ano passado”, relembra a idosa, emocionada.

Segundo o relato da família, por volta das 10h, a porta da sala estava aberta para aliviar o calor da manhã. O menino de quatro anos, neto de Loeci, brincava no local quando um pitbull, que havia escapado da residência do tutor, entrou no imóvel. O cão percorreu mais de três quadras antes de chegar à casa.
“Ele ia matar meu neto. O pinscher latiu para defender o menino”, contou a avó.
O ataque ocorreu entre a sala e a televisão da casa. O pitbull concentrou-se no pinscher, que não resistiu aos ferimentos. A criança presenciou a cena e foi retirada do local por familiares, em meio ao pânico. A situação só foi controlada após o tutor do pitbull ser localizado e conter o animal, que, segundo moradores, já era conhecido na vizinhança por outros ataques a cães.
“Temos grades, mas não temos condições financeiras de concluir a obra”, lamentou Loeci. Ainda abalada, ela afirma que este teria sido o quarto ataque envolvendo o mesmo animal. “A polícia veio aqui e disse que não podia fazer nada, que o bicho apenas se soltou”, relatou.
Moradores do bairro, que reúne desde áreas de ocupação irregular até condomínios fechados, relatam medo constante. “Quem garante que ele não vai se soltar de novo?”, questionou uma vizinha. Outra moradora criticou a falta de ações preventivas: “Parece que estão esperando acontecer algo pior, talvez com uma criança”.
Dados oficiais
De acordo com a Brigada Militar, Pelotas registrou 27 ocorrências de ataques de cães nos últimos 12 meses. A informação foi confirmada pelo setor de comunicação do 4º Batalhão de Polícia Militar (4º BPM).
“Como a busca é manual, leva um pouco mais de tempo, mas fazemos dessa forma para garantir que os dados cheguem corretos à imprensa e à sociedade, sem distorções”, informou a corporação. Os registros englobam ocorrências relacionadas à omissão de cautela e maus-tratos a animais.
A Brigada Militar afirmou ainda que mantém o compromisso com a transparência e com o atendimento às demandas da comunidade.




