Tradição de maio como “mês das noivas” perde força em Pelotas

Festas mais intimistas e datas diferenciadas tem afastado o público do tradicional mês. (Foto: Clarissa Ribeiro/JTR e Patrick Peil)

O tradicional “mês das noivas” já não representa o auge dos casamentos e vem ganhando novas perspectivas nos últimos tempos em Pelotas. Com uniões cada vez mais íntimas e simples e, agora, ocorrendo nos últimos meses do ano, os serviços essenciais na preparação para a cerimônia sentem um impacto econômico negativo em um mês que, anteriormente, era significativo para o comércio.

De acordo com Silvia Karam, organizadora de eventos da empresa “Celebrando eventos especiais”, junto com Patrícia Mota, o mercado para matrimônios está distribuído ao longo do ano, levando em conta a época do ano e motivos pessoais dos noivos. “Maio sempre foi conhecido como o mês das noivas, mas o mercado de casamentos hoje em dia está distribuído em vários outros meses do ano, considerando a estação, a demanda financeira de cada casal e o melhor período relacionado aos seus afazeres profissionais”, explica.

Segundo Silvia, o planejamento, que é fundamental, leva em média um ano. O custo médio varia considerando os diferentes perfis e tamanhos da festa. Ademais, de modo geral, a decoração e a alimentação tiveram o maior aumento de preço recentemente.

Floriculturas da cidade foram contatadas para participar da reportagem, mas não deram retorno até o fechamento desta matéria.

Símbolos de amor e renovação, vestidos agora são procurados em outras épocas
Um dos principais investimentos na celebração é o vestido da noiva, sempre repleto de expectativas para ser visto. Conforme Carolina Carpena, estilista e proprietária do “Casa Três Atelier”, que trabalha com modelos pré-prontos e à pronta entrega, junto com as estilistas Juliana Villela e Gabriela Lugris, o mês tem sido mais procurado para organização, não para realização do casamento em si. De acordo com ela, somente um vestido de noiva foi confeccionado para maio este ano. “Ninguém procura vestidos em maio para casar neste mês. Ele é muito mais de preparação”, pontua.

Carolina explica, ainda, que o período de setembro a início de maio tem sido muito procurado para a celebração, devido ao clima da cidade ser desfavorável no meio do ano, especialmente para uniões ao ar livre. “Os melhores meses dependem da estação do ano, eu diria que de setembro a maio tudo acontece. No final de maio, depois em junho, julho e agosto ninguém casa, retomando em setembro” detalha.

Os modelos de vestido também mudaram com o tempo, segundo a estilista. “São dois tipos, ou saia mais ampla, com vestidos mais encorpados, ou os mais ajustados, com alguns drapeados e uma modelagem diferente, mas vestidos com bases mais minimalistas”. Independentemente do modelo escolhido, a loja se prepara desde o início do ano com estoques suficientes para atender as demandas de todos os meses.

Pilares da comemoração se adaptam a uniões intimistas
Os salões de beleza da cidade percebem a mudança de comportamento das clientes. Segundo Ari Falcão, proprietário do Salão Pará, o mês não representa mais o mesmo pico de atendimentos a casamentos no espaço. Além disso, para ele, as noivas têm investido em outros serviços do casamento. “Há uma variação muito grande, hoje estão optando, com raras exceções, em investir mais em salão de festas e decoração do que investir no cabelo e maquiagem, não valorizando tanto assim essa parte”.

Falcão ressalta que os casamentos íntimos têm sido maioria, sendo as grandes celebrações cada vez mais raras, assim, momentos como “dia da noiva” nos salões de beleza têm sido menos escolhidos. Além disso, ele explica que os custos nos produtos do salão subiram consideravelmente, o que pode prejudicar o retorno financeiro nesse tipo de trabalho. “Os custos nos produtos tiveram um impressionante aumento de 20 a 30%, e em média uma noiva ocupa em torno de cinco profissionais”, avalia.

O presidente do Centro Português 1º de Dezembro, Eduardo Carreira, relata que o último casamento realizado no local foi em agosto, sendo que o principal salão escolhido quando ocorrem esses eventos é o auxiliar. “O Clube trabalha somente com locação do espaço, deixando o locatário livre para escolher o serviço de sua preferência. O salão principal era alugado frequentemente e agora a opção tem sido o salão menor, que comporta 180 pessoas”, conta.

Centro Português 1º de Dezembro precisou se adaptar aos novos formatos de casórios nos últimos tempos. (Foto: Divulgação)

Carreira também ressalta que a baixa procura impacta no faturamento de diversas pessoas que fazem parte da realização de uma festa. “Os prestadores de serviço acabam envolvidos, como decoradores, promoters/recepcionistas, fornecedores de buffet e bebidas, além do comércio local”, finaliza.

Apesar de ser considerado o “mês das noivas” no imaginário popular, maio agora representa um mês de organização, dando espaço a outros meses com climas mais favoráveis para a realização das cerimônias, agora mais íntimas, simples e práticas.