O transporte rodoviário é uma das engrenagens fundamentais para o funcionamento da economia da Zona Sul do Estado. É pelas estradas que circulam a produção agropecuária, insumos e mercadorias que abastecem diferentes áreas. Nesse cenário, a Associação dos Proprietários de Caminhões de Pelotas (Aprocapel) atua há 17 anos na busca por melhores condições para caminhoneiros e transportadores.
Presidente da entidade, Nelson Vergara destaca que uma das principais conquistas da associação ao longo da trajetória foi ampliar a estrutura de apoio aos associados. Fundada com 49 caminhões, a Aprocapel atualmente reúne 670 veículos vinculados à entidade.
Segundo Vergara, o maior orgulho da associação é conseguir oferecer produtos e serviços com preços mais acessíveis aos transportadores. “Hoje temos insumos como óleo de motor, lonas e pneus de todas as fábricas brasileiras e repassamos aos nossos associados sem um centavo de lucro, divididos em até oito vezes”, afirma.
Desafios do transporte
Apesar dos avanços, o setor enfrenta dificuldades que impactam diretamente a rotina dos caminhoneiros. Para o presidente da Aprocapel, um dos principais problemas da região é a falta de indústrias, o que aumenta a dependência de setores específicos da economia.
Entre os custos que mais pesam para os proprietários de caminhões, Vergara aponta o preço do combustível, a manutenção dos veículos e a dificuldade de encontrar profissionais experientes. “O óleo diesel é hoje uma das maiores preocupações, principalmente por não sabermos quando haverá novos aumentos. Peças e insumos também são cobrados levando em conta um caminhão novo, o que acaba onerando quem trabalha com veículos mais antigos”, explica.
Apoio aos associados
Para reduzir o impacto dos custos, a Aprocapel trabalha com compras coletivas e parcerias comerciais. A entidade adquire produtos diretamente de fornecedores e repassa aos associados pelo valor de custo. Além disso, mantém acordos com grandes redes de postos de combustíveis, garantindo descontos para os transportadores. “Buscamos formas de diminuir os gastos dos associados e oferecer condições melhores para quem depende do caminhão como ferramenta de trabalho”, diz Vergara.
Na avaliação do presidente da associação, o agronegócio é atualmente o principal parceiro do transporte rodoviário. “O agronegócio é o maior parceiro que temos. Sem o agro, o Brasil para, e sem o caminhão para o agro e o Brasil”, resume.
Para ele, a relação entre produtores rurais e caminhoneiros é essencial para garantir que a produção chegue aos portos, indústrias e consumidores.
Rodovias e segurança
As condições das estradas estão entre as principais preocupações dos transportadores. Vergara cita trechos da região que, segundo ele, não suportam mais o volume de veículos que circulam diariamente.
Entre os pontos apontados está a BR-392, no trecho entre Pelotas e Caçapava do Sul, além da BR-293 até a entrada do Capão do Leão. “São trechos onde toda semana acontece acidente com morte. Seria necessária uma duplicação imediata”, comenta.
Além da infraestrutura, a segurança nas estradas também preocupa a categoria. Segundo Vergara, os riscos envolvem principalmente assaltos e roubos, além do excesso de tráfego em rodovias simples.
Ele também critica a falta de estrutura para cumprimento da legislação sobre descanso dos motoristas. “Implantaram a lei do descanso dos motoristas, mas não fizeram os pontos de parada no Brasil todo”, frisa.
Mudanças na profissão e futuro
A profissão de caminhoneiro passou por transformações nas últimas décadas, principalmente com o avanço da tecnologia e novas exigências legais. Para Vergara, uma das dificuldades atuais está na renovação da categoria. Segundo ele, as regras para obtenção da habilitação profissional acabam afastando parte dos jovens interessados. “Para conseguir uma carteira de motorista profissional, é obrigatório ter 21 anos. Quando chegam nessa idade, muitas pessoas que querem trabalhar já estão inseridas no mercado e acabam não se interessando mais pela profissão”, explica. A falta de mão de obra qualificada também é apontada como um dos desafios do setor.
Para os próximos anos, a Aprocapel trabalha na criação de uma nova estrutura para atender aos transportadores da região. Entre os projetos está a construção de um estacionamento próprio com abastecimento às margens da BR-116.
Segundo Vergara, a iniciativa busca oferecer mais segurança e melhores condições aos caminhoneiros. “A Aprocapel hoje está pensando em ter o próprio estacionamento junto com abastecimento na BR-116. Vamos nos unir todos para que a nossa região tenha um futuro melhor. Juntos somos mais fortes”, conclui.
No Dia do Colono e Motorista, a entidade reforça o papel dos profissionais que conectam a produção rural aos mercados e movimentam diariamente a economia regional.




