(a uma criança de rua)
Despencou de um céu amargo
escasso traço de luz
e sentou-se na calçada
pra repousar sua cruz…
Tem o trigal nos cabelos,
maduros cachos ao vento…
o campo verde nos olhos,
e o estômago sedento!…
Talvez seja outra Maria,
outra nuvem desgarrada…
Mas é de fato uma estrela
e a multidão não vê nada.
Ouço a dor de seu dilema,
de seus lábios esvaídos
como a flor abandonada
que paira nos desvalidos…
Na senda fria das ruas,
onde as luas não refletem,
ouvirei a dor da estrela,
que os tantos sem luz repetem!…
Ouço a dor de seu dilema:
nos lábios, a indecisão
de não saber escolher
entre o céu azul e o chão.
Sonho senti-la piscando…
fecho os olhos – posso vê-la!…
voltou pro céu, pois a rua
não tem lugar pra estrela.
Dr. Juarez Machado de Farias
A vida é o dom maior que Deus nos deu. Cuide-se!



