O Maio Amarelo, movimento internacional iniciado em 2014 que faz alusão à cor de “atenção”, visa mobilizar a sociedade para um trânsito mais seguro. Com o tema de 2026 sendo “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, a edição deste ano busca reforçar a responsabilidade no tráfego. Em Pelotas, os 580 acidentes com danos materiais, até o fechamento desta matéria, enfatizam a importância de campanhas como essa.
O chefe da Delegacia da Polícia Rodoviária Federal de Pelotas, Daniel Pitrez, explica que o objetivo é fortalecer a conscientização e o respeito no trânsito e, dessa forma, promover mudanças na conduta dos motoristas e a valorização da vida. “A conscientização é o único método que pode agir na raiz do problema. Claro que a autuação tem um caráter pedagógico, mas ela é reativa. Quando uma campanha de educação para o trânsito atinge o cidadão, ela transforma o comportamento preventivo em um hábito. É isso que evita o acidente. O condutor consciente passa a entender o trânsito de uma forma mais coletiva”, destaca.
Conforme o secretário de Transporte e Trânsito do município, Cláudio Montanelli, os maiores desafios estão ligados justamente ao comportamento dos condutores, como excesso de velocidade, uso de celular e consumo de álcool, indo ao encontro do tema deste ano. Nesse sentido, a educação no trânsito está sendo trabalhada nas escolas e comunidades, por meio de ações educativas em instituições, empresas e participação em eventos, com foco na promoção de hábitos mais seguros no tráfego.
Número de óbitos preocupa especialistas
Em relação aos acidentes com óbitos, conforme dados da Secretaria, nas vias municipais, Pelotas registra queda em 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. De janeiro a maio, foram 12 mortes em 2025 contra 9 em 2026, representando uma redução de 25%.
O diretor de Trânsito da Secretaria, Cléo Cardozo, avalia que, mesmo com a redução, graves acidentes ainda são registrados. Dessa maneira, se faz necessário um trabalho permanente de educação. “O trabalho prioritário deve ser feito nas escolas, para que as novas gerações se relacionem de uma maneira mais saudável com o trânsito, que enxerguem os outros, os pedestres, os ciclistas, os motociclistas, e com isso possamos ter um trânsito mais cordial e seguro, com consciência, fiscalização e sinalização”, pontua.
Quanto aos lugares da cidade com maior ocorrência de sinistros, Montanelli explica que, atualmente, há uma distribuição entre as regiões. “Não há um ponto crítico específico. Os registros indicam que os sinistros estão distribuídos em diferentes regiões da cidade”, avalia o secretário.
Diante dos dados expressivos e da variação de locais com alto número de acidentes, de acordo com o chefe da pasta, a Prefeitura prevê novos investimentos em sinalização e estrutura viária em toda a cidade. “Já estão em andamento a operação do radar portátil, a revitalização da sinalização, especialmente no entorno de escolas e áreas de maior movimento, além do encaminhamento para implantação de controladores de avanço de sinal vermelho”, afirma.

Atenção e manutenção precisam ser redobradas
Segundo Moisés Vahal, técnico de formação do Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SEST SENAT) de Pelotas, mesmo entre motoristas profissionais, os principais erros permanecem sendo o uso de celular e o excesso de velocidade, mas combinado com a negligência de manutenção do carro, ignorando o estado dos pneus e sistema de freios. Além disso, não manter a distância de seguimento, ou seja, o espaço seguro do veículo à frente, impossibilita eventuais frenagens de emergência.
De acordo com Pitrez, o clima é um fator significativo para o aumento de acidentes em veículos de carga. “É observado com frequência condições de pneus desgastados e sistemas de iluminação deficientes, situação que se torna ainda mais preocupante com a chegada do outono e inverno, períodos marcados por dias mais curtos, com maior volume de chuvas e com menor visibilidade em virtude das condições climáticas, como a neblina”, complementa.
Vahal ainda afirma que a saúde física e mental do condutor também influencia no seu comportamento nas estradas. “O cansaço extremo tem efeitos semelhantes aos da embriaguez no organismo, comprometendo o reflexo e o julgamento. O estresse crônico e a ansiedade levam à agressividade no trânsito, o que também aumenta a probabilidade de conflitos e manobras arriscadas”, detalha.
Motoristas buscam aperfeiçoamento
Considerando esses dados e a competitividade do mercado, os motoristas profissionais vêm buscando mais cursos de atualização, conforme o técnico. “Há uma tendência crescente, e isso acontece porque as empresas de transporte estão priorizando certificações atualizadas e cursos de gestão de combustível e eficiência. Além disso, a expansão da plataforma de Ensino a Distância (EaD) facilitou o acesso do motorista que tem pouco tempo disponível entre as viagens”, lembra Vahal.
De acordo com ele, a capacitação profissional é fundamental para reduzir acidentes de trânsito. “A capacitação é o pilar preventivo mais eficaz. Motoristas treinados não apenas dominam a técnica do veículo, mas desenvolvem a percepção de risco. Ela inclui direção defensiva, ou seja, ensinar a antecipar erros de terceiros e condições adversas, e o domínio tecnológico, pois veículos modernos exigem conhecimento técnico para que sistemas de segurança, como ABS e controle de estabilidade, possam ser usados corretamente”.
Vahal ressalta que, para melhorar a segurança no trânsito, o motorista deve aderir a alguns comportamentos, como sinalizar as intenções com antecedência, manter distância de dois segundos do carro da frente, respeitar os pontos cegos de caminhões e ônibus e buscar manter a calma, reduzindo o “efeito dominó”. Para Montanelli, a principal contribuição é adotar condutas responsáveis. “É preciso respeitar os limites de velocidade, não utilizar o celular ao dirigir, não consumir álcool antes de conduzir e obedecer à sinalização – essas atitudes são essenciais para reduzir sinistros e preservar vidas”, conclui.




