Prefeitura de São Lourenço do Sul aposta em ecossistema de inovação para impulsionar desenvolvimento local

Gestão municipal aposta em parcerias, sustentabilidade e tecnologia para estimular novos negócios e melhorar serviços públicos. (Foto: Tatiane Klumb/JTR)

A Prefeitura de São Lourenço do Sul tem priorizado a criação de um ecossistema de inovação como estratégia para promover o desenvolvimento econômico e social do município. No segundo ano de mandato, o prefeito Zelmute Marten (PT) e a vice-prefeita Fernanda Bork (PT) destacam ações voltadas à sustentabilidade, parcerias institucionais e fortalecimento de políticas públicas integradas.

Segundo a administração, o trabalho tem como base a resiliência climática e a articulação entre poder público, iniciativa privada e comunidades. A proposta busca atender demandas tanto da área urbana quanto da zona rural, com foco em crescimento sustentável.

Parcerias e inovação

Entre as iniciativas, está a construção do ecossistema de inovação, que reúne projetos e parcerias para incentivar novas soluções no município. “É importante salientar que a nossa gestão trabalha com planejamento estratégico e metas para políticas públicas integradas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), e sobre os conceitos de cidade educadora, cidade empreendedora e cidade resiliente”, afirma Marten.

O município firmou convênio com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para o período de 2025 a 2028, com foco em áreas como inovação, agroindustrialização, economia azul, novos negócios e turismo.

A iniciativa também envolve parcerias com instituições de ensino, como a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e o Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), além de empresas locais. A gestão busca ainda aproximação com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

“O nosso foco é estreitar esse ambiente, para que a nossa comunidade tenha um conhecimento cada vez maior das oportunidades de inovação que existem no Brasil, que ela possa se desafiar, tanto a solucionar problemas tecnológicos, quanto a ampliar a competitividade das empresas locais. Queremos, também, fomentar a criação de novas empresas, a partir de startups, da atuação dos nossos jovens, dos estudantes da rede pública municipal e estadual, e dos acadêmicos da FURG, do campus de São Lourenço do Sul”, diz o prefeito.

Projeto de biochar

Entre os projetos em andamento está a implantação de uma indústria de biocarvão, em parceria com a empresa NetZero e com interesse de financiamento da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido).

“Nós assinamos o protocolo de intenções com a NetZero e estabelecemos o interesse da Unido – que é o organismo da ONU que fomenta a indústria de descarbonização no mundo – em financiar este projeto em São Lourenço do Sul. É um projeto na ordem de R$ 38 milhões e nós estamos discutindo com a ADB Alimentos e outras indústrias relacionadas ao agronegócio em São Lourenço do Sul e região, um arranjo entre empresas para a tomada desse financiamento e a instalação efetiva dessa indústria”, relata.

O projeto prevê o aproveitamento da casca de arroz, atualmente considerada um resíduo, para produção de biochar e geração de créditos de carbono.

“O interesse da UNIDO é justamente esse: fomentar, no mundo, projetos de industrialização vinculados à descarbonização, transformando passivos ambientais em ativos que possam promover soluções a partir da economia verde. O projeto da nossa indústria de biochar prevê o aproveitamento de 30 mil toneladas de casca de arroz por ano, para gerar 10 mil toneladas de biochar anualmente e 10 mil toneladas de crédito de carbono por ano”, explica.

Segundo o prefeito, o produto pode contribuir para a recuperação de solos e redução da dependência de fertilizantes importados. “Hoje o Brasil importa 80% dos seus fertilizantes de países como a Ucrânia e Rússia, que, pela própria instabilidade geopolítica global, em algumas situações, dificultam o processo de importação e têm preços muito voláteis”, afirma.

“Ele vai ser produzido em âmbito local e será distribuído para os agricultores familiares e do agronegócio no âmbito regional, portanto não necessitando de toda a pegada de carbono que se desenvolve a partir da necessidade de importar fertilizantes de outras partes do mundo”, acrescenta.

Metas e educação

Entre as prioridades da gestão está a execução de recursos captados em 2025, que somam mais de R$ 200 milhões, além de melhorias em áreas como trânsito, iluminação pública e gestão de resíduos sólidos.

No campo educacional, a prefeitura realiza concurso público com previsão de contratação de 270 professores. “Nós vamos admitir 270 novos professores, que vão substituir contratos de terceirização, vão colaborar com a recuperação do nosso fundo de previdência e vão qualificar a nossa oferta de ensino básico e fundamental”, afirma Marten.

Participação da comunidade

A administração também destaca a retomada do orçamento participativo e o fortalecimento dos conselhos municipais como estratégias de ampliação da participação popular.

“Para nossa gestão, o principal é garantir espaços e ampliar o empoderamento da comunidade na gestão do município. Para isso, nós retomamos o processo do orçamento participativo, estamos fortalecendo os nossos conselhos municipais em todas as áreas, criando novos conselhos e realizando um longo ciclo de conferências municipais em todas as áreas”, diz o prefeito.

Entre as ações já realizadas está a Conferência dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, em abril. Também estão previstas conferências nas áreas de esporte, causa animal e educação.

“Nós temos convicção profunda que a ampliação da vitalidade das iniciativas do município só se dará com o maior engajamento e maior participação das nossas comunidades do interior e da cidade”, conclui.

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