Crianças viralizam no TikTok ao mostrar brincadeiras em Canguçu

Enquanto muitos estão nas telas, elas fazem da rua o conteúdo. (Foto: Rebeca Petter)

Em uma cidade de quase 50 mil habitantes, as crianças da “Rua Verde” já colecionam 13,3 mil seguidores e mais de 300 mil curtidas no perfil do Tiktok
– até o fechamento desta matéria. Os vídeos caseiros reúnem seis crianças que compartilham as brincadeiras de rua e vivências da turma. O sucesso, conquistado em poucos meses, surpreendeu as famílias e ultrapassou os limites do município.

A iniciativa partiu de Rebeca Petter, 14 anos, que criou o perfil de forma despretensiosa com o grupo. “A ideia surgiu meio que por brincadeira, só para postar alguns vídeos. Mas em menos de uma semana já tínhamos mais de 100 seguidores. Foi incrível ver tanta gente pedindo mais, ficamos super felizes e nem imaginávamos que chegaríamos a 12 mil seguidores tão rápido”, conta.

A estudante explica que a turma se considera muito criativa quando se trata de criar conteúdo. “Conseguimos ter ideias de vídeos brincando na rua ou a partir de áudios da plataforma. Separamos uma ou duas horas por semana para gravar. Brincamos muito mais do que gravamos, corremos, rimos e aproveitamos o tempo na rua como sempre fizemos. Além disso, percebemos que muitas outras ruas e grupos começaram a se inspirar no nosso conteúdo, o que mostra que nossas ideias têm influência e repercussão além da nossa própria conta”, diz.

O sucesso inesperado anima as produções, muitas delas com mais de 30 mil visualizações. “Eu acho isso muito mágico, porque nunca imaginamos que nossas brincadeiras na rua poderiam alcançar tantas pessoas”, explica a estudante. Para o futuro, Rebeca pensa em trabalhar com o jornalismo, especialmente o esportivo. A mãe da jovem, Cristiane Petter vê os vídeos de forma positiva. “Ela sempre demonstrou bastante criatividade em dominar as redes sociais, além de ser uma forma de interação com os amigos”, afirma.

Outras famílias também acompanham de perto a atividade. Miriam Retzlaff, mãe de um dos participantes, se mostra feliz com a repercussão dos vídeos e monitora os comentários para evitar interações ofensivas. Para Gabriel, 9 anos, o perfil segue sendo uma extensão das brincadeiras. “Gostamos de andar de bicicleta, correr e mostrar isso nos vídeos”, expressa.

Para acompanhar a turma no Tiktok siga @os_ruaverde e no Instagram @osruaverde.

Exposição digital e a importância do brincar na rua

O crescimento de perfis protagonizados por crianças ocorre em meio ao debate sobre segurança e exposição on-line, intensificado por propostas como o chamado ECA digital. A professora de jornalismo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Silvia Meirelles, que atua com Educação Midiática, explica que há alternativas interessantes e benéficas para crianças e adolescentes na internet, mas o problema se concentra no que é acessado.

“Atualmente, temos um formato de acesso que é muito baseado nas mídias sociais e essas plataformas como Meta, TikTok e Google, têm um trabalho com algoritmos que pode ser perverso. Qual o grande risco em faixas etárias de crianças e adolescentes? O cérebro ainda não está todo formado, então o risco de viciar é muito maior do que em um adulto”, esclarece.

A docente também destaca a importância de ferramentas de controle parental e avalia como positiva a restrição ao uso de celulares em escolas. “Os pais não conseguem muitas vezes enxergar os efeitos da internet no seu cotidiano. É muito importante conversar com suas crianças e adolescentes sobre o que eles estão vendo e fazendo na internet. Nas escolas, as crianças estavam interagindo cada vez menos na hora do recreio, da saída, em vez de correr e explorar o pátio”, aponta a professora universitária.

Em relação à exposição, Cristiane aponta o acompanhamento dos conteúdos impróprios. Existe sim uma preocupação com a exposição, principalmente por se tratar de crianças e adolescentes e por ter muitas pessoas que utilizam as redes sociais apenas para fazer o mal. Confio bastante na Rebeca, pois ela sempre foi responsável e sempre foi explicado para nunca acessar sites duvidosos, e mesmo assim estou sempre atenta ao que é acessado. Verificamos todos os conteúdos deles antes de serem postados e a Rebeca tem consciência do que pode e não pode ser postado”, garante.

Instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Pediatria, recomendam o uso restrito de uma a duas horas por dia para crianças de 6 a 10 anos e o tempo máximo de três horas diárias para adolescentes de 11 a 18 anos. O equilíbrio entre o digital e a leitura, as brincadeiras, a presença dos pais e o contato com a natureza é essencial para o desenvolvimento de uma infância saudável.

1 comentário

  1. Eu Sophia sou uma integrante da rua verde e eu acho muito bom brincar na rua, não olhamos tanto o celular, mais agente inventa umas brincadeiras muito legais e se divertimos muito

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