
*Com informações da Assessoria de Imprensa
O prefeito Fernando Marroni (PT) recebeu, na última quarta-feira (4), representantes da reitoria da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Agência da Lagoa Mirim no Paço Municipal para discutir alternativas relacionadas ao ponto de captação de água bruta do Canal São Gonçalo. O encontro contou também com a participação da equipe técnica do Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep).
Pela captação ocorrer em área próxima à Eclusa do Canal São Gonçalo, em períodos de pouca chuva, depende diretamente do funcionamento do sistema de comportas para evitar a entrada de água salgada, vez que a presença de sal dificulta o processo de tratamento da água. Embora atualmente o município não esteja enfrentando um cenário de estiagem severa, equipes do Sanep identificaram um aumento recente nos níveis de salinidade da água.
Monitoramento intensificado
Segundo o Sanep, o limite máximo de salinidade para que a água seja considerada potável é de 250 miligramas por litro (mg/l). Nos últimos dias, esse mesmo índice chegou a 226 mg/l. Na medição mais recente, o valor registrado foi de 120 mg/l, enquanto a média operacional tem ficado cerca de 50% abaixo do limite permitido.
Apesar da elevação momentânea, o aumento da salinidade ainda não impactou a vazão da Estação de Tratamento de Água (ETA) São Gonçalo. A situação, no entanto, levou à intensificação do monitoramento da qualidade da água bruta.
Atualmente, as medições passaram a ser realizadas a cada seis horas. De acordo com o Sanep, o objetivo é garantir que toda a água distribuída à população permaneça dentro dos padrões de potabilidade.
Produção e sistema integrado
A ETA São Gonçalo produz cerca de 250 litros por segundo de água tratada, volume que corresponde a aproximadamente 20% do abastecimento de Pelotas. O restante é distribuído pelas ETAs Quilombo, Santa Bárbara e Sinnott.
Em caso de necessidade, o sistema de abastecimento integrado permite equilibrar as vazões entre as estações, estratégia utilizada em situações emergenciais, como interrupções por falta de energia elétrica ou manutenção de redes.
Outro fator que ajuda a reduzir riscos é o controle das eclusagens. A diminuição do número de aberturas diárias das comportas, realizada pela Agência da Lagoa Mirim, contribui para limitar a entrada de água salinizada, já que o ponto de captação está localizado após a eclusa.
O comportamento da salinidade também depende de fatores ambientais, como períodos de pouca chuva na região e a direção dos ventos, que influenciam na comunicação entre a Lagoa dos Patos e a Lagoa Mirim.
Segundo o Sanep, a operação da ETA São Gonçalo ainda é relativamente recente — este é apenas o segundo verão da estação —, mas o aumento da salinização dos mananciais é considerado comum nesta época do ano.
Monitoramento também ocorre em Capão do Leão
A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) informou que também acompanha a situação e reforçou que toda a água tratada e distribuída à população de Capão do Leão atende aos padrões de qualidade e potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Segundo a companhia, são realizadas diariamente cerca de 500 análises nos sistemas de abastecimento, avaliando mais de 100 parâmetros para garantir que a água distribuída esteja adequada para consumo.



