
Entre treinos e anos de dedicação, o bicicross – ou BMX – segue vivo em Pelotas, com atletas empenhados e apaixonados pelo esporte desde a década de 1980. Entre 7 de março e 6 de dezembro, 10 atletas pelotenses marcam o campeonato gaúcho com sua participação, reforçando a importância do esporte e de sua história para a cidade do doce.
Em Pelotas, de acordo com Pablo Madruga, de 50 anos, atleta campeão de competições internacionais, em 1984 os jovens ciclistas se reuniam no local onde hoje funciona o Shopping Mar de Dentro, porém que, na época, abrigava uma pista de BMX. “Era no shopping que a gente se reunia para treinar, competir e passar horas pedalando. A pista era o nosso ponto de encontro e o lugar onde tudo começou para mim. Entre saltos, quedas e muita diversão, fui criando minha base no esporte e construindo histórias que levo comigo até hoje”, conta.
Madruga, vencedor de títulos como o de Campeão Continental Americano em 1993, competiu de forma quase ininterrupta até 1996, quando ficou 17 anos afastado das pistas. Após este período, em 2013, ele retornou ao esporte com um propósito especial: apresentar o bicicross a sua filha, que, ao se interessar pelo esporte, reacendeu a paixão de seu pai.
O atleta, que tem sua rotina dividida entre musculação, corrida e treinos específicos com a bicicleta, afirma que o esporte já faz parte da família – fator que impulsiona ainda mais sua dedicação. “Não são apenas os resultados que me mantêm no esporte. Minha esposa conheceu o BMX, passou a gostar de competir e começou a participar também. Depois de tantos anos me acompanhando nas competições, hoje sinto uma grande alegria em vê-la vivendo o esporte ao meu lado”, diz.
Esporte cresce em meio a desafios e perspectivas
Segundo Fernando Silveira, presidente da federação gaúcha de BMX, a busca por maior visibilidade no cenário esportivo esbarra na falta de incentivos e investimentos: “Existe muito problema na questão de investimentos, por se tratar de um esporte amador, por mais que ele seja olímpico, nós temos dificuldades”.
Para melhor estruturação do esporte na região sul, conforme ressalta Silveira, um dos pontos fundamentais seria a construção de uma pista pública de bicicross em Pelotas, que contenha um tamanho ideal, seja regulamentada e oficial da UCI BMX (União Ciclística Internacional) – órgão máximo que rege as competições de BMX no mundo.
Atualmente, de acordo com Madruga, a equipe, composta por 20 pessoas, construiu de forma artesanal um espaço para treinar e manter o esporte ativo em um terreno no Capão do Leão. Para ele, a pista seria um marco para os esportistas. “Seria importante ter uma pista pública. Quem sabe assim poderíamos formar uma nova geração vencedora dentro da nossa modalidade. Todas as minhas conquistas foram alcançadas treinando aqui, uma cidade distante dos grandes centros do BMX e sem apoio ao esporte local. Há algum tempo, tentamos viabilizar a construção da pista, mas a burocracia e a falta de incentivo ao esporte na cidade dificultam qualquer iniciativa nesse sentido”, pontua.
Na capital gaúcha, segundo o presidente, uma pista olímpica está em fase avançada de implementação, a fim de captar ainda mais atletas para a modalidade e poder, futuramente, ter um esportista olímpico gaúcho. “Já estamos a passos bem largos para Porto Alegre. Faltam pequenos detalhes, mas esse é um ponto que nós estamos batalhando há algum tempo, e agora falta pouco. Já temos 90% do recurso e a área”, destaca.



