Por Ciro J. Mombach
Médico
Às vezes nos encantamos com um lugar só de ouvir falar. Foi assim que Parador La Coronilla entrou no cardápio da nossa lua de mel. Um tio teceu rasgados elogios ao local, que tinha piso aquecido no banheiro e que as toalhas vinham quentinhas.
Saímos de Porto Alegre ao raiar do dia e atravessamos o trajeto até Pelotas numa estrada em que os resquícios de asfalto só serviam para fazer a borda dos infinitos buracos. Almoçamos e seguimos rumo ao Uruguai a bordo do Fusca 1.300 da mãe.
Às 21 horas, noite cerrada, embocamos uma estradinha estreita e poeirenta rumo ao tal Parador. Só os faróis iluminavam o caminho e as árvores que o cercavam assumiam um aspecto fantasmagórico. No fim da estrada, no meio do bosque, encoberto pelas árvores, um prédio pouco iluminado que parecia um convento.
– Será que é isso o nosso hotel? – disse minha mulher. – Eu não estou gostando.
– Não temos outra opção, estamos no meio do nada.
Bati na porta e veio uma senhora falando baixinho como as freiras, que confirmou nossa reserva. Entramos num hall com mobília centenária, iluminado mais pela lareira do que pelas pálidas lâmpadas.
O quarto lembrava o de um mosteiro com seus móveis toscos e rústicos. Mas o banheiro – ah, tinha sim piso aquecido, e as toalhas eram quentinhas. A calefação Uruguaia funcionava a pleno e tivemos uma aconchegante noite de sono.
De dia o lugar parecia menos lúgubre. Tomamos um bom café com media lunas e saímos a pé para explorar. Havia um bosque aprazível e ficava a uma curta caminhada do mar.
Essa foi a primeira parada em nossa Luna de Miel. Seguimos por Punta del Este até Montevidéu e depois por Colônia del Sacramento até Buenos Aires, onde ficamos por uma semana. Viagem custeada com os 254 dinheiros recolhidos no sapato da noiva.
Nada conhecíamos de hotéis e seus atrativos ou regalias de acomodação. Fomos, por isso, na escolha do Parador, seduzidos por uma coisa tão singela como piso aquecido e toalhas quentes no banheiro…



