Em uma mistura mágica de tradição e cultura, o maior circo da América Latina chega a Pelotas pela primeira vez. Com mais de 800 toneladas de equipamentos, o Mirage Circus – que tem como anfitrião o ator Marcos Frota – promete trazer uma experiência única a partir desta sexta-feira (10), em curtíssima temporada na cidade. Os bastidores do circo, que tem mais de 10 anos de história, revelam seus desafios, curiosidades e a preparação para que toda a estrutura seja a base de momentos inesquecíveis.
Fundado em setembro de 2013, na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, o Mirage Circus conta com uma média de 200 funcionários fixos. A cada cidade visitada, em torno de 50 a 100 outros colaboradores são contratados como diaristas para auxiliar nas demandas da estrutura a fim de facilitar o processo. De acordo com Lueny Motà, atual CEO do Mirage Circus, novos laços são feitos a cada capítulo da história a ser preenchido nos municípios em que se instalam. “A cada cidade, projeto e estreia, sinto a mesma energia: a de estar diante de algo que me faz crescer. O Mirage foi a união perfeita entre o meu mundo empresarial e o meu íntimo criativo, um espaço onde posso liderar, sonhar e criar, tudo ao mesmo tempo”, disse a CEO.
Desafios e superação dos bastidores
A primeira vez do circo na região Sul implicou em estudos e um profundo mapeamento por parte da produção, segundo Erick Dantas, diretor de Marketing e membro do circo há 11 anos. De acordo com ele, o raio de oito cidades próximas a Pelotas foi analisado. Dantas ressalta ainda que as necessidades culturais e interesses de toda a região foram avaliadas e que Pelotas não é o tipo de cidade que hoje entra na rota exclusiva do Mirage Circus. Contudo, ao obterem todo o controle interno do município, viram a possibilidade de a Terra do Doce receber o espetáculo.
Entre os maiores desafios enfrentados, Dantas destaca a adaptação a tecnologia e flexibilidade com a modernidade, a qual trouxe diversos gostos e preferências novas ao público de todas as idades. “Com o avanço da tecnologia, das pessoas, da população, dos gostos – que são inúmeros – a gente precisa também estar aberto e atento. Antigamente, era muito fácil, não era comum que tivesse televisão, celular, rede social. Hoje, para você agradar não a todos, mas a uma boa parte, você precisa fazer essa migração para o atualizado, efeitos especiais, painel de LED”, contou.
Para Lueny, as dificuldades começam muito antes da estreia, pois envolvem transporte, burocracias, montagem e equipe. “O maior desafio talvez seja manter o encantamento, principalmente interno, quando o cansaço é grande. Fazer com que, noite após noite, o público entre na lona e esqueça do mundo lá fora. Isso exige liderança, comprometimento, resiliência e, acima de tudo, amor pelo que se faz. Não apenas pelas lonas que se erguem, mas por tudo o que existe por trás delas: a logística, as pessoas, os sonhos e a disciplina que faz a mágica acontecer”.
Preparação
Para essa magia acontecer, muitas famílias que zelam pelo funcionamento do circo estão por trás. As vestimentas dos artistas são preparadas com cuidado para que o encanto e brilho cativem os olhos de quem assiste o espetáculo. Dantas conta que as próprias bailarinas fazem suas maquiagens dentro do padrão exigido, como a tonalidade do batom e o formato da sombra do olho, tudo calculado para que combine com a projeção do telão, com a iluminação e o espetáculo como um todo.
Enquanto os artistas solos tem sua própria roupa, o figurinista Jeferson Robattini – que já é a sexta geração de circo na sua família – cuida das roupas das bailarinas e do camarim. “Aqui é um circo que dá suporte pra você fazer o seu serviço dignamente. A gente tenta fazer o máximo. Mas você tem o suporte, porque você tem bons diretores, você precisa de uma pessoa pra criar, uma pra executar e uma pra financiar. E aqui no Mirage funciona”, comentou o figurinista.

A magia da adaptação
Com a constante mudança de cidade, os integrantes se conectam a diversas formas de viver por onde passam. Para Dantas, é um privilégio poder conhecer culturas e gastronomias locais mais de cinco vezes ao ano. “A magia que a gente oferece ao nosso público é a mesma que o nosso público oferece para a gente. Poder conhecer culinárias locais, gostos e gírias diferentes. Essa troca de informações é muito interessante para a gente, para a nossa evolução pessoal e espiritual. Acima de tudo, ter essa oportunidade de trocas distintas com várias regiões.”, explicou.
Para Lueny não é muito diferente. A CEO também enfatizou o poder de adaptação do circo. “Uma cidade é desmontada e montada em outra, com o mesmo grupo de pessoas, que cria laços de família. Cada novo município traz novos desafios, novas adaptações, novas histórias. Porque o poder do circo está na constante adaptação de vida entre o fixo e o passageiro, entre o que vai e o que é recomeçado”.
O Mirage, que hoje se consolida como referência em circo tecnológico, é o primeiro circo da América Latina a substituir a tradicional cortina vermelha do circo por um mega painel de LED. Segundo o diretor de Marketing, o painel auxilia a projeção cenográfica e os efeitos visuais. Além da estrutura, as próprias atrações passaram pela evolução da coreografia, do figurino, mas sem perder a tradicionalidade do número. Para 2026, o projeto é ainda mais robusto, com ideia nova e promete surpreender o público.

O circo está localizado no estacionamento da Fenadoce, na avenida Pinheiro Machado, 3.390, bairro Fragata, e terá espetáculos de terça a sexta-feira às 20h, e nos sábados, domingos e feriados às 14h30, 17h e 19h30.




