Perseverança e sucessão familiar na produção de leite em Turuçu

A família Ollermann trabalha com rebanho misto, com vacas da raça Jersey e Holandesa. As próximas gerações, Raquel e Arthur, pretendem continuar na produção de leite e investindo na propriedade. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

Perseverança sempre foi uma palavra ligada ao meio rural. O produtor sabe que esta característica é fundamental. Nenhum dia é igual ao outro e nenhuma safra é igual à outra. E foi essa palavra que moveu e segue sendo importante para a família Ollermann, produtores de leite, que residem na localidade de Santana, município de Turuçu.

Como produtores de leite, eles já passaram por diversos momentos, de valorização, desvalorização, mudanças em diretrizes, e avanços tecnológicos. Mas em 2016, tiveram que se reinventar. Após perder a maior parte dos animais para uma doença e ficar com apenas nove vacas, eles tinham duas opções: desistir, ou se reinventar. Mas desistir não é uma palavra que consta no dicionário de um produtor. Com todos os investimentos feitos, como sala de ordenha e de alimentação, eles buscaram através de financiamentos e outras formas, a compra de vacas, e dessa vez da raça Holandesa, já que antes trabalhavam apenas com Jersey. Na época, o sonho da família era atingir os mil litros de leite por dia. Com a perda das vacas, passaram a ordenhar menos de 50 litros por dia. Mas, com investimentos, em dois anos, conseguiram se recuperar e atingiram a marca de 1,25 mil litros de leite por dia. Hoje a média diária é de 1,45 mil litros, com 55 vacas sendo ordenhadas diariamente.

Anos depois, outra mudança, passaram a vender a produção para a Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores da Região Sul (Coopar). “Foi uma escolha bem acertada”, afirma Clóvis Ollermann. Essa mudança trouxe novos ares para a propriedade. Ele explica que a cooperativa sempre foi justa e pontual com os pagamentos ao produtor, o que permitiu que eles tivessem um planejamento melhor da propriedade para assim investir mais e fazer compras mais acertadas. Outras mudanças foram a entrega de ração à granel, o programa de sêmen e a assistência técnica, que tornaram o sistema que era vertical, no qual o produtor apenas envia o leite à cooperativa, em horizontal, pois passaram a possuir auxílio e ajuda.

O desenvolvimento da propriedade
Tudo começou com a avó de Ollermann, que tinha criação de porcos e também algumas vacas da raça Jersey. Parte da gordura do leite era utilizada para fazer manteiga e o restante virava alimento para os porcos. Na época, a maior renda da propriedade eram os porcos. Anos depois, o pai assumiu a propriedade e passou a investir mais no leite, já que começou a passar uma rota de transporte na região.

Com isso, também passou a melhorar a genética animal e fazer os primeiros investimentos na área. Da ordenha com balde ao pé dos tarros, e hoje a ordenha canalizada. Mudanças e investimentos que deram mais fôlego para o produtor trabalhar, e mais conforto para o animal.

Futuro: sucessão familiar é uma realidade
Ao perguntar os planos para o futuro da propriedade, quem já começa respondendo é a filha do casal, Raquel. Ela explica que pretende continuar na propriedade e desenvolver o trabalho iniciado nas gerações anteriores. O objetivo é investir ainda mais na qualidade do rebanho, melhorando a genética, para assim, produzir mais com menos vacas. Isso possibilita que a mão de obra siga sendo familiar e atenda melhor o rebanho. “Eu sonho com galpão para as novilhas, locais para tratar, para tornar tudo mais prático”, afirma Raquel.

Ela explica que o momento difícil que passaram em 2016, na verdade foi bom para que ela decidisse o seu futuro. Naquele período não havia a possibilidade de sair da propriedade para estudar ou morar fora. No tempo em que permaneceu em casa, percebeu que realmente ficaria na propriedade.

Diversificação
Não é só do leite que vem a renda. As mulheres da família, Raquel e Jaine, possuem uma agroindústria familiar em que produzem geleia, molhos, conservas e outros produtos à base de pimenta, que também é produzida no local. Ollermann também mantém, há dois anos, uma área de cerca de 50 hectares de soja. Duas possibilidades a mais para fomentar a propriedade e ter mais uma opção de trabalho.

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