Uma nova geração de fumicultores em São Lourenço do Sul

Na propriedade localizada em Santo Antônio, a produção de tabaco já está na terceira geração, passando, da esquerda para a direita, pelos avós Lili e Ingomar, os pais, Márcia e Volnei, Andressa e Ricardo, além da irmã, Franciele, e o namorado, Gabriel. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

Quando se fala do futuro das propriedades rurais, um ponto preocupante é a sucessão familiar, isso porque a maioria dos jovens tem trocado o meio rural pelo urbano, em busca de novos objetivos e um novo estilo de vida. Mas há quem ande na contramão dessas estatísticas. O jovem casal Andressa Nornberg, de 22 anos, e Ricardo Schroder, de 21 anos, estão em sua primeira safra de fumo, contentes com os resultados e otimistas para o futuro.

A história deles com o tabaco vem desde a infância. Ambas as famílias trabalhavam com a cultura, e eles sempre acompanharam como o trabalho era árduo, cansativo, mas recompensador. E o destino, já traçando o futuro, promoveu o primeiro encontro dos dois em uma Festa do Fumo do Salão Ziebell de 2017. Ali uma história com a fumicultura começava, e eles nem imaginavam. Em 2019 o casal começou a namorar, e há quase um ano Schroder mora com Andressa na propriedade dos pais dela, trabalhando juntos no tabaco. “É muito bom poder trabalhar junto, um motiva o outro, e nos ajudamos muito, assim temos mais forças para encarar os desafios da lavoura”, explica Andressa. Junto com a família, eles plantaram 125 mil pés de tabaco na safra 2023/2024.

O jovem casal formado por Ricardo, de 21 anos, e Andressa,
de 22, está em sua primeira safra de tabaco, mas otimista
com o futuro e as perspectivas de cultivo. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

O casal é a terceira geração na propriedade na localidade de Santo Antônio. Quem iniciou o plantio de tabaco no local foi o casal Lili e Ingomar Thurow, que tem inúmeras histórias sobre as dificuldades e as mudanças no cultivo. Ingomar explica que desde os 6 anos seu pai plantava fumo. Hoje, aos 66 anos, passa a experiência e o conhecimento adiante. Ele conta que ao longo desse tempo a forma de produzir tabaco mudou muito, bem como de secagem e armazenagem. Andressa conta que ainda quando pequena via os pais, Márcia e Volnei, e os avós usarem as estufas convencionais com varas, que foram substituídas por estufas elétricas e grampos.

O objetivo do casal é continuar investindo na propriedade, levando novidades e melhorando a produção a cada ano. Eles contam que essa primeira safra começou bem, com o fumo sendo avaliado no galpão pelos instrutores e tendo a certeza de que irão receber bem por todo o esforço dedicado em dias longos de trabalho. “Essa valorização do produto por parte das empresas é um incentivo a mais para continuar na produção”, explicam.

Uma valorização necessária, afinal, não é um trabalho fácil. Schroder conta que uma das principais dificuldades é o clima, principalmente, o calor excessivo para colher fumo, assim como as chuvas de verão no período. O fumicultor não tem escolha quando o fumo está pronto para ser colhido na lavoura, precisa ir e enfrentar qualquer clima, seja ele chuva ou sol. Além disso, depende do clima em todas as outras etapas, como na preparação da terra e no plantio.

A importância da mulher na agricultura

Presente em todas as etapas da lida do campo, a mulher divide a sua rotina para atender as demandas da lavoura e de casa. Seu trabalho é essencial para a continuação e fortalecimento da propriedade. O casal conta que suas mães são as suas principais incentivadoras. Apesar da maioria das propriedades rurais estarem em posse de homens, as mulheres também as dirigem.

Papel das mulheres também é fundamental para o sucesso da produção, passando por Lili, Márcia e Andressa. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

Diversificação de renda

Quando se fala em diversificação de renda no campo logo a associação é feita com a produção de diversas culturas, mas nesse caso é diferente. As irmãs Andressa e Franciele possuem um estúdio de beleza na propriedade. Tudo começou com o amor de Franciele pela maquiagem, e a vontade de desenvolver essa profissão. Para prestar um atendimento mais completo, Andressa fez cursos e especializações em cabelos e unhas. E hoje elas prestam serviços desde os cortes de cabelo, até as produções mais elaboradas para ocasiões especiais, como formaturas e casamentos. Além de atender os vizinhos em horários especiais, as irmãs estão sendo reconhecidas em toda região e comemoram os resultados, com clientes agendadas até para 2025. O objetivo delas é continuar na lavoura, mas investindo no espaço e ganhando cada vez mais reconhecimento.

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