No Dia do Produtor de Tabaco, agricultora fala sobre os anos de produção em São Lourenço do Sul

Agricultora Clauce Schmalfuss com sua filha, Gabriela Schmalfuss Martins (Foto: Catarine Thiel/JTR)

O produtor e a produtora de tabaco têm um dia dedicado somente a eles: 28 de outubro. Desde 2012, a data é comemorada e foi escolhida baseada na história. Em 1942, tripulantes de uma navegação de Cristóvão Colombo encontraram em Cuba nativos fazendo um ritual com folhas secas e inaladas por um tubo. Assim, aconteceu a apresentação das folhas conhecidas pelos nativos como Cohiba e que mais tarde seria chamada de tabaco.

A data, instituída pelas Assembleias Legislativas do Sul do país, é celebrada onde o tabaco possui importância econômica. Os três estados são responsáveis por produzir 97% do fumo em folha. A cultura movimenta, em média, R$ 6 bilhões por ano, segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

Em São Lourenço do Sul, na safra 2019/2020 foram produzidas 14.708 toneladas de fumo em folha. Embora o número seja alto, isso representa uma redução em relação à safra anterior, em que foram produzidas 19.260 toneladas. Essa diminuição está ligada a diminuição de hectares plantados e as condições climáticas que afetaram o desenvolvimento da folha na lavoura.

A cultura também tem importância social, pois ela é produzida majoritariamente no regime de agricultura familiar. O coordenador do Sistema Mutualista da Afubra, Geber Ehlert, explica que a cultura do tabaco necessita de uma pequena área de terra para ser produzida. Além disso, a qualidade do tabaco produzido chama atenção das empresas fumageiras, o que favorece a produção na Região Sul.

No município, são 4.028 famílias envolvidas com esta cultura, no qual as mulheres assumem um papel cada vez maior nos afazeres. Antes eram vistas apenas como ajudantes, hoje elas já estão presentes em todo o processo de produção de tabaco, desde o preparo do solo até a colheita da folha.

Na localidade de Santa Isabel, 1º Distrito, a agricultora Clauce Schmalfuss é responsável por comandar uma propriedade de 20 hectares. Ela conta que desde os 10 anos ajuda os pais na cultura e há 24 anos ela atua à frente da sua própria propriedade. Por 22 anos, ela tinha a ajuda do seu companheiro e juntos plantavam 90 mil pés de fumo. Atualmente, ela é divorciada e produz, sozinha, 50 mil pés. Além disso, tem uma área com milho e uma horta com verduras e hortaliças para consumo.

Durante os picos de serviço da safra, como na colheita, ela conta com a ajuda de vizinhos e da filha Gabriela Schmalfuss Martins, que cursa Técnico em Agropecuária e leva para a casa conhecimentos adquiridos no curso. Desde a safra 2019/2020, Clauce também faz todo o serviço de trator na lavoura.

A cultura do tabaco exige muito dos produtores, pois quando termina uma safra, o solo já deve ser preparado para a próxima. É um trabalho constante que exige muita dedicação e, principalmente, amor por aquilo que produz. “Eu gosto de produzir tabaco e, por isso, sigo produzindo”, afirma Clauce.

Confira a reportagem também no site www.jtrtv.com.br.

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