A produção de soja em São Lourenço do Sul

Nos últimos anos, a família Klumb investiu em novos maquinários para otimizar o manejo da soja e também melhorar a qualidade de vida. (Foto: Arquivo Pessoal)

Desde a chegada dos primeiros imigrantes em São Lourenço do Sul muita coisa mudou. A colônia cresceu e se desenvolveu. Novas culturas foram sendo implantadas, e outras perdendo sua importância econômica. O que não mudou foi a relevância da agricultura, aquela que ajudou o município a se desenvolver, também foi aquela que segurou a economia durante a pandemia do Covid-19.

Uma das culturas que merece destaque é a soja. A produção do grão no município vem crescendo a cada ano, assim como a sua produtividade. Segundo dados do escritório municipal da Emater/RS – Ascar, estima-se que na safra 2020/2021 foram plantados 42 mil hectares de soja, com rendimento médio de 3,6 mil quilos por hectare. Esse número significa um aumento em relação à safra anterior, em que foram colhidos cerca de 1,35 mil kg/ha, em uma área de 40 mil hectares. A safra foi prejudicada pela falta de chuvas, que ocorreu no momento do enchimento de grãos e resultou na diminuição do seu peso e tamanho.

Esse aumento na produção também é registrado na propriedade da família Klumb, em São João da Reserva, 6º distrito de São Lourenço do Sul. O proprietário, Flávio Klumb, conta que na safra 2019/2020 colheu 1,7 mil sacos. Já na safra 2020/2021, a colheita alcançou 58 sacos por hectare, ou seja, mais que o dobro que na safra passada. Além disso, o preço do grão também disparou, impulsionado pelo aumento do dólar, o que deixou os produtores mais contentes com a produção.

Ele conta que eles plantam 70 hectares de soja, uma parte das terras é própria e outra é arrendada, contrato de cessão em que o produtor entrega parte da produção ao proprietário das terras. Essa busca por plantio de terras arrendadas também tem crescido, e segundo produtores, no momento não há mais terra disponível para arrendamento. Mas essa não é a realidade da propriedade da família Klumb.

Eles explicam que assim como existem anos bons, também existem anos em que a safra não é tão boa. Por isso, eles investem em diversificação. A família também planta 70 mil pés de fumo e cerca de 28 hectares de milho, o que garante a sustentabilidade da propriedade, caso alguma produção não tenha uma safra boa.

Para a próxima safra, a família irá apostar novamente na cultura, embora o custo dos insumos e das máquinas tenha quase triplicado, eles explicam que o valor final acaba compensando os gastos. Essa decisão também parte da facilidade no cultivo da soja em relação a outras culturas, como o fumo por exemplo. Na soja todo o manejo pode ser realizado com máquinas, do plantio à colheita. Como na propriedade é utilizada apenas mão de obra familiar, a mecanização torna o serviço mais fácil.

Segundo a estimativa preliminar da Emater, na próxima safra há a previsão de que será plantada uma área de 46 mil hectares com soja em São Lourenço do Sul, mas este dado ainda precisa ser confirmado com as demais entidades do município. Esse aumento na produção não significa que novas áreas serão desmatadas, mas que haverá uma mudança, pois muitos produtores estão deixando de produzir fumo e outros, para investir em soja.
O extensionista da Emater, Paulo Wetzel, lembra que os produtores não devem esquecer de fazer o seguro agrícola. Visto que nas últimas cinco safras, apenas três puderam ser consideradas boas ou regulares, as demais foram ruins devido à estiagem e à chuva de granizo. Por isso é importante fazer o ProAgro, ProAgro Mais, seguro rural ou contratar um seguro privado para segurar a produção. Ele lembra que a agricultura é uma indústria a céu aberto, e é fortemente influenciada pelo clima.

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