
O roteiro turístico rural Caminho Pomerano, em São Lourenço do Sul, tem ampliado sua atuação como espaço de aprendizagem fora da sala de aula. Com a adesão crescente de escolas e universidades, o turismo pedagógico fortalece a valorização da cultura local e proporciona experiências educativas a estudantes da região. Composto por cerca de 40 associados — entre agroindústrias, artesãos e empreendimentos de visitação —, o percurso mantém viva a cultura dos imigrantes alemães e pomeranos que chegaram ao município em 1858.
Na área urbana, integram a iniciativa a loja de chocolates artesanais Silvia Chocolates e o restaurante Nona Bray. Já no Parque Recanto da Ilha, na Praia das Nereidas, funciona o Quiosque da Economia Solidária, administrado pela Associação Caminho Pomerano em parceria com a Prefeitura. O espaço reúne produtos de artesãos e agroindústrias, além de outros empreendimentos locais, e opera durante a temporada de verão, de dezembro a março.
A maior parte dos atrativos, no entanto, está localizada na zona rural. Entre eles, estão o museu Memórias Und Andenken, a Casa das Cucas Pomeranas, a exposição de plantas e ervas de Inês Klug, a encenação do casamento pomerano, o Sítio Terra da Pitaia, o Recanto das Bergamotas, o Café Platô, as pousadas Weber Haus e Velho Casarão e os restaurantes Sal e Brasa e Sabores do Sítio. Os empreendimentos atuam na preservação da cultura local, seja por meio de relatos históricos, conservação de objetos ou difusão de tradições.
Caráter educativo em expansão
Nos últimos anos, o projeto tem se consolidado como ferramenta de ensino complementar sobre cultura e história regional. A proposta atrai instituições interessadas em oferecer aos alunos atividades práticas, fora do modelo tradicional de sala de aula.
As visitas aproximam os estudantes da natureza, da agricultura familiar e dos costumes locais, promovendo o contato com uma realidade muitas vezes desconhecida. Também contribuem para o aprendizado interdisciplinar, ao permitir que professores trabalhem diferentes conteúdos de forma mais dinâmica.
Segundo o condutor local do roteiro, Rodrigo Seefeldt, mais de 800 alunos visitaram o circuito em 2025, além de grupos universitários. “Possibilitar através do turismo pedagógico a visita das escolas ao Caminho Pomerano é muito gratificante, porque, ao mesmo tempo que é possível mostrar a cultura e os hábitos locais, o roteiro também permite um contato especial entre a comunidade escolar de diversos municípios com a vida da agricultura familiar e dos empreendedores do turismo rural”, afirma.
Ele destaca que a organização ocorre em parceria com a Agência Maria Faceira, da turismóloga Ana Jane Saraiva, responsável pela articulação do turismo receptivo. “Buscamos organizar o roteiro de forma que cada experiência visitada seja algo que possa ser aproveitado no ambiente escolar e que possa fazer os alunos pensarem sobre aquele tema. Como os imigrantes chegaram aqui, qual é a importância da agricultura e o que todo esse período representa”, explica.
As visitas podem ser agendadas pelos telefones (53) 98467-8816 e (53) 99101-3821 ou pelo perfil no Instagram @mariafaceira.turismo.
Experiência prática e integração
Durante os roteiros, os estudantes visitam propriedades rurais e têm contato com famílias descendentes de imigrantes pomeranos e alemães. A programação inclui degustação de pratos típicos, oficinas de saberes tradicionais, exposições de artesanato, artefatos históricos e ervas medicinais, além de atividades ligadas à agricultura familiar.
Um dos destaques é a encenação do “Casamento pomerano”, com a presença da noiva vestida de preto e a demonstração de tradições típicas. Em locais como o Sítio Terra da Pitaia e a Pousada Velho Casarão, os alunos também interagem com animais, como galinhas e ovelhas.
A professora Carlene Lima Mengue, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Machado de Assis, relata que a visita ao Sítio Terra da Pitaia foi a preferida dos alunos. “As crianças reagiram com muito entusiasmo durante o passeio e ficaram encantadas ao conhecer a fruta, já que a maioria ainda não a conhecia. Demonstraram bastante curiosidade ao aprender sobre a forma de polinização e se interessaram pelas explicações apresentadas. A degustação dos produtos coloniais também foi um momento muito especial, despertando curiosidade e ampliando o repertório alimentar dos alunos, principalmente ao experimentarem a fruta pela primeira vez. Além disso, aproveitaram muito o contato com os animais presentes no sítio, tornando a experiência ainda mais significativa e prazerosa. Tivemos uma integração boa entre os alunos, incluindo aqueles com necessidades especiais, que participaram ativamente de todas as atividades. O passeio promoveu momentos de socialização, respeito e troca, fortalecendo vínculos e proporcionando uma aprendizagem inclusiva e afetiva”, conta.
Ela também destacou a importância do acompanhamento durante a atividade. “O Rodrigo realizou a mediação do grupo com muita dedicação, oferecendo explicações claras e envolventes. Sua apresentação sobre o casamento pomerano trouxe ainda mais riqueza cultural ao passeio, possibilitando aos alunos conhecerem tradições e costumes típicos da região”, afirma.
Para a professora, o contato com o meio rural foi determinante para a experiência dos estudantes. “Durante a visita, percebemos o encantamento das crianças com a zona rural, as paisagens naturais e a tranquilidade do ambiente, tão diferente do cotidiano em que estão inseridas. Sem dúvida, foi uma experiência enriquecedora, que contribuiu não apenas para o conhecimento, mas também para a formação humana dos nossos alunos”, diz.
Seefeldt reforça a proposta do circuito. “É muito gratificante ver a felicidade dos alunos visitando os empreendimentos do turismo rural do Caminho Pomerano. Nós estamos à disposição para receber a todos de forma especial e transformar essa experiência em um momento memorável e único na vida desses estudantes”, conclui.




