
Por Eduardo dos Santos
O evento “Simers ao seu lado”, promovido pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), reuniu, na quinta-feira (26), pouco mais de cem profissionais de diferentes áreas da saúde no Yacht Club, em Rio Grande. Durante o encontro, o presidente do Simers, Marcelo Matias, comentou sobre agendas realizadas ao longo do dia no município, incluindo visitas à Santa Casa do Rio Grande, ao Hospital Monporto e à Prefeitura, onde se reuniu com a prefeita Darlene Pereira (PT) e a secretária de Saúde, Juliana Costa.
Entre os temas abordados, Matias destacou a situação da Santa Casa do Rio Grande. Segundo ele, em assembleia realizada na quarta-feira (25), médicos da instituição decidiram pela suspensão dos contratos de trabalho em até 30 dias. A decisão ocorre após os profissionais receberem apenas 50% de uma parcela referente ao pagamento de novembro do ano passado. “É um assunto extremamente importante, porque eles estão cumprindo o contrato, que permite essa rescisão. Isso pode ter uma consequência direta para os pacientes, com o potencial desaparecimento de serviços em 30 dias, afetando áreas como emergência, oncologia, cardiologia e internações clínicas e cirúrgicas”, afirma.
Diante da gravidade da situação, o tema foi levado ao presidente da Santa Casa do Rio Grande, Renato Silveira, que, segundo o sindicato, alegou não haver solução do ponto de vista financeiro. “Por isso, fomos à Prefeitura e, em caso de não haver avanço, vamos acionar a Justiça estadual e federal, buscando uma intervenção com recursos do município, do governo do Estado e do governo federal”, diz Matias.
O presidente do Simers também relatou que orientou a direção do hospital sobre a possibilidade de suspensão de novas internações, caso haja fechamento de serviços, ressaltando a necessidade de evitar riscos aos pacientes já internados. “Não é o objetivo do sindicato. Queremos que os médicos recebam e que a população continue sendo atendida. Mas, se houver fechamento, é preciso responsabilidade para não expor a população a risco imediato. Por isso, comunicamos a prefeita para que tome as providências necessárias”, completa.
Em nota oficial, a Santa Casa do Rio Grande reconheceu a legitimidade das reivindicações dos médicos e lamentou os atrasos nos pagamentos. A instituição destacou as dificuldades financeiras enfrentadas e informou que busca recursos, especialmente junto ao Ministério da Saúde, para recompor o teto de Média e Alta Complexidade (MAC) e regularizar os repasses.
Após a deliberação do corpo clínico, em assembleia realizada no dia 25 de março de 2026, o hospital foi formalmente comunicado sobre a paralisação total das atividades médicas em até 30 dias. Diante disso, a instituição informou que adotará medidas de reorganização dos fluxos internos e assistenciais ao longo da próxima semana. Os serviços de urgência, emergência e as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) seguem operando normalmente durante esse período.



