2º Seminário de Qualidade da Soja destaca potencial logístico do RS

O momento evidenciou o protagonismo da cidade em uma cadeia que vai muito além da lavoura, com foco em inovação, exigências internacionais e transição energética. (Foto: Guga Volks)

O Festimar 2026 recebeu, na quinta-feira (26), o primeiro dia do 2º Seminário de Qualidade da Soja do Porto do Rio Grande, como parte da programação do Festival do Mar, voltada ao desenvolvimento da região. Os painéis apresentados pela manhã apontaram para um cenário onde a soja se consolida não apenas como commodity, mas como base estratégica para novas matrizes produtivas.

A palestra de abertura do evento foi conduzida pelo administrador Flávio Mingorance, head de biorrefino e especialista em inovação da Refinaria Riograndense. O palestrante apresentou um dos projetos mais ambiciosos em curso no setor energético do Brasil: a transição da Refinaria Riograndense, com 88 anos de história, para uma biorrefinaria,a primeira do país.

“É um projeto transformador para o Rio Grande do Sul, não apenas para a Refinaria. Basicamente, o projeto irá trocar a carga fóssil por carga vegetal, o que se relaciona muito com o foco do seminário, já que trabalharemos diversas matérias-primas que temos aqui, na região”, explicou o palestrante.

Qualidade como diferencial competitivo
Na sequência, o diretor técnico e fundador do grupo Pró-Ambiente, Marco Dexheimer, trouxe para o centro do debate a qualidade nutricional da soja. O painel destacou o teor proteico do grão como diferencial competitivo relevante no mercado internacional. Para além do volume, Dexheimer reforçou que a qualidade da proteína é um ativo estratégico.

Ao abordar o posicionamento brasileiro frente às exigências externas, especialmente do mercado chinês, o palestrante ponderou que, embora existam variáveis logísticas e desafios no transporte, o país mantém um padrão de qualidade consistente. “Não estamos em uma redoma, há fatores externos, mas, no Brasil, temos qualidade”, afirmou.

Infraestrutura rodoviária segue como entrave
Já no período da tarde, o supervisor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Rio Grande do Sul, Vladimir Casa, abordou a logística rodoviária no Polo Pelotas, destacando os desafios impostos pelas condições climáticas e pela necessidade de manutenção constante das estradas.

O primeiro dia do 2º Seminário de Qualidade da Soja teve fim com o painel mediado pelo jornalista André Zenobini. O momento reuniu o presidente do Sindicato dos Controladores de Carga do Rio Grande (SINTECON), Daniel Alvarenga, o vereador Luciano Figueiredo (Luka) e o deputado federal Halley Lino em torno de um diagnóstico claro: o Porto do Rio Grande possui capacidade e potencial, mas enfrenta limitações estruturais que comprometem seu pleno aproveitamento.

Entre os principais pontos levantados, destacou-se a deficiência na BR-392, considerada estratégica para o escoamento da produção. Representantes do setor alertaram que o DNIT ainda não está plenamente preparado para atender à demanda crescente da rodovia.

A discussão também avançou sobre os impactos do modelo de concessões rodoviárias, especialmente no que diz respeito ao custo do transporte de cargas. O vereador Luka chamou atenção para a possibilidade de acréscimo tarifário sobre o valor por eixo de caminhões, o que, segundo ele, tende a penalizar diretamente o setor produtivo.

Segundo dia de Seminário
O 2º Seminário de Qualidade da Soja do Porto do Rio Grande continua nesta sexta-feira (27), a partir das 8h, com a retomada dos painéis técnicos voltados à qualidade, inovação e mercado. Inserido na programação do Festimar 2026, o evento reforça o papel do Porto do Rio Grande como ponto de conexão entre a produção gaúcha e o mundo.