
Pelo menos 36 mil águas-vivas foram encontradas nas areias da Praia do Cassino na terça-feira (9). O levantamento foi realizado pelo Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Apesar da grande quantidade, o fenômeno é considerado comum para a região e não representa perigo aos seres humanos.
Segundo o professor do Instituto de Oceanografia da Furg, Renato Nagata, não há um número exato de quantas águas-vivas encalharam na orla. Porém, em um trecho de 2 km de extensão da Praia do Cassino foram contadas 6 mil, e em outro trecho de 80 metros, em situação mais crítica, localizado próximo ao centro do balneário, foi encontrado um número estimado de 30 mil animais.
Mesmo que essa quantidade de águas-vivas surpreenda e até assuste, Nagata garante que esse é um fenômeno normal e frequente na região, que acontece em toda a costa brasileira. A aparição desses animais é abundante principalmente em locais com rios ou lagoas que desaguam no mar. “Trata-se de um fenômeno normal do ciclo de vida da espécie, eles se desenvolvem aqui, crescem ao longo do ano, mais para o final da primavera se reproduzem, morrem e acabam acumulando na beira das nossas praias”, explica o ele.
Também chamadas de mãe d’água, as águas-vivas encontradas no Cassino são da espécie Lychnorhiza Lucerna e normalmente aparecem na praia no mês de novembro, época de baixa temporada de visitantes, o que explica a passagem despercebida por grande parte das pessoas. Para Nagata, esse atraso no desenvolvimento dos animais provavelmente deve ter sido causado pela redução da salinidade da água da Lagoa dos Patos e da Praia do Cassino, devido alta incidência de chuvas no início e meio do ano passado.
Ainda, o professor relata que, às vezes, os encalhes dessa espécie são até mais numerosos do que os reportados nesse ano. A explicação para essa grande quantidade de animais ainda não possui uma resposta precisa e definitiva, pois necessitaria de um banco de dados da região de períodos mais antigos. Por isso, não seria possível verificar se esse número aumentou ao longo dos anos.
De acordo com o professor, que começou suas pesquisas há cerca de sete anos, sempre foi observada a ocorrência desse fenômeno. Porém, ele relata que há uma percepção geral de aumento no número desses animais ao longo das décadas pelas pessoas que frequentam a praia.
Além disso, também são notados o aumento de águas-vivas em algumas praias ao redor do mundo, o que está sendo relacionado a fatores ambientais, pesca predatória e aumento de zonas de baixa oxigenação dos oceanos. “Isso é um fenômeno que tem ocorrido em alguns lugares, porém não podemos afirmar que é esse caso que está acontecendo no Cassino”, ressalta.
Felizmente, o professor garante que essa espécie não é tóxica aos humanos e não provoca as lesões por envenenamento, popularmente chamadas de queimaduras. Porém, relembra que não é recomendado o contato com esses e outros animais marinhos. Isso porque os animais em decomposição possuem bactérias que podem causar irritações, alergias e infecções.
Nagata informa que nunca foi reportada no Cassino uma quantidade tão grande de espécies danosas ao ser humano, quanto às da espécie nociva encontrada nessa semana. “Estamos vendo essas espécies [danosas] em muito baixa densidade. Provavelmente ao longo dos próximos dias elas devem aparecer em maior abundância, causando mais acidentes”, adiciona.
Dessa forma, em caso de queimadura de outras espécies do animal, é preciso lavar a pele afetada abundantemente com água do mar e aplicar vinagre sobre o ferimento, o qual é disponibilizado nas guaritas de salva-vidas. Para amenizar a dor, utilize compressas com água do mar ou gelo artificial envoltos por panos. Nunca deve ser colocado gelo diretamente sobre a pele e evite esfregar o ferimento com toalhas ou areia.
Recomenda-se também prestar atenção em sintomas que ocorram fora da região afetada da pele, como aparecimento de outras lesões, confusão mental, dificuldade para respirar, aumento na frequência cardíaca, cãibras e outros sintomas. Nesses casos, é necessário o atendimento médico com emergência, já que pode indicar uma reação alérgica bastante perigosa.



