Gaúchos enfrentam pior momento diante da pandemia

Foto: Getty Images via BBC

Na segunda-feira (22), o governo do Estado definiu as bandeiras da 42ª rodada do Modelo de Distanciamento Controlado, no qual classificou 11 regiões em bandeira preta e dez em bandeira vermelha. Essa foi a primeira vez, durante a pandemia de Covid-19, na qual foi classificada um grande risco de regiões como alto nível de perigo quanto à contaminação do vírus.

Como condição para que fosse mantida a opção de cogestão, em que as regiões em determinada bandeira que aderiram ao sistema compartilhado podem adotar os protocolos próprios compatíveis até o nível de restrição da bandeira inferior, desde que previstos nos seus planos, o governo aumentou as restrições em todo o estado, como por exemplo, o horário em que o comércio geral deve fechar. Desde terça-feira (23), o horário da suspensão geral de atividades não essenciais no estado está sendo às 20h, indo até as 5h.

Em um vídeo divulgado na noite de quarta-feira (24), o governador Eduardo Leite fez um apelo aos prefeitos gaúchos para que cumpram as restrições previstas no modelo de distanciamento controlado. Além disso, alertou a população para que evitem aglomerações, visto que a taxa de ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Rio Grande do Sul ultrapassou 90%. “O alerta está dado. O mapa aponta o risco que tem as regiões do nosso estado. Os protocolos estão apresentados. Apliquem na proporção da gravidade que o momento exige”, disse.

Esse é o pior momento para os gaúchos durante a pandemia de Covid-19, com mais de 619 mil casos, desses, 94% estão recuperados. O estado já passou a marca de 12 mil óbitos. Segundo os dados da Secretaria Estadual de Saúde, 2.413 pacientes encontram-se internados em UTIs e mais da metade (52,8%) têm teste positivo para coronavírus.

Os hospitais observam uma mudança no perfil de pacientes internados, com aumento de casos em jovens e não necessariamente de pessoas com comorbidades ou dos grupos previamente classificados como de risco. “Precisamos ter a colaboração de todos, de todas as idades e em qualquer bandeira, seguindo todos os protocolos obrigatórios, como uso de máscara e sem aglomerações. Estamos tendo maior vulnerabilidade ao vírus e, até que a gente consiga esclarecer os motivos desse avanço tão rápido, a prevenção é o melhor caminho”, apontou o governador.

Na quinta-feira (25), Leite anunciou, ao fim de reunião com a Famurs, a suspensão do sistema de cogestão no Distanciamento Controlado com vigência de uma semana. A partir de sábado (27) até o dia 7 de março, as regiões terão que cumprir os protocolos de bandeira preta.

Zona Sul em alerta
Os chefes do Executivo da região estão com o sinal de alerta frente à aceleração de contaminações e inesperada lotação de hospitais.

O presidente da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) e prefeito de Canguçu, Vinícius Pegoraro, conta que os maiores desafios têm sido conciliar os cuidados com a saúde sem deixar de lado o funcionamento das atividades econômicas, além do controle das aglomerações que vem ocorrendo. Na quarta (24), os prefeitos tiveram uma reunião com as forças de segurança do estado e com a coordenadoria regional, para discutir maneiras mais efetivas de fiscalização de aglomerações e festas clandestinas.

Ainda, de acordo com Pegoraro, a vacinação nos municípios da Região Sul tem ocorrido de forma eficiente. “É óbvio que devido ao tamanho populacional de alguns municípios, em alguns momentos estão ocorrendo filas para a vacinação, mas isso devido a sua característica de uma população maior”, explica.

Um ano depois, Brasil dispara nos números de internações
Há um ano, em 26 de fevereiro de 2020, o Brasil confirmava oficialmente seu primeiro caso de Covid-19. O anúncio foi feito pelo ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. O paciente, de 61 anos, morava em São Paulo e havia retornado de uma viagem pela Itália no dia 21 de fevereiro. Apesar disso, as primeiras decisões do governo, além do alerta à população, foram referentes a manter as fronteiras abertas, já que não se sabia como o vírus iria se comportar em um país de clima tropical, durante o verão.

Agora, a partir de estudos que começaram a ser divulgados ainda em maio de 2020, sabe-se que o coronavírus já circulava no Brasil antes do primeiro caso divulgado e que teve inúmeras entradas no país por meio de pessoas que chegavam de viagens internacionais.

Passaram-se 12 meses e o Sars-CoV-2 se espalhou pelo mundo, uma pandemia sem precedentes que até então já contaminou mais de 112 milhões de pessoas e vitimou cerca de 2,4 milhões. Neste momento, o Brasil se encontra na terceira posição entre os países com maior número de casos, com 10,2 milhões e desses, 250 mil vieram a óbito, os números ficam atrás somente da Índia e dos Estados Unidos.

Apesar do desenvolvimento de vacinas como a CoronaVac, a AstraZeneca e a Pfizer, que já estão sendo aplicadas em mais de 50 países, os reflexos da pandemia ainda são sentidos no mundo e parece que ainda está distante de amenizar.

Há mais de um mês, o Brasil vem registrando uma explosão no número de casos de pessoas infectadas pelo coronavírus. Segundo os dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa, nos últimos sete dias, a média móvel foi de 49.533 novos diagnósticos, o que representa uma variação de +9% em relação aos casos registrados em duas semanas. A marca também tem refletido no número de mortes diárias, atualmente a média móvel é de mais de mil óbitos, sendo que treze estados estão com alta em relação a esses registros, são eles: PR, RS, SC, GO, AC, PA, RO, BA, CE, MA, PB, PI e RN.

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