Consórcio Regional de Inspeção representa virada de chave para a Zona Sul

Iniciativa lançada na terça-feira abre mercado nacional para os produtos das agroindústrias da região. (Foto: Rodrigo Chagas)

A Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) promoveu, na tarde de terça-feira (3), o ato de lançamento do Consórcio Regional de Inspeção de Produtos de Origem Animal. O órgão vinculado ao Consórcio Público do Extremo Sul (Copes) será responsável por integrar os Sistemas Municipais de Inspeção (SIMs) padronizando procedimentos e respondendo diretamente ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ao fazer isso, o Consórcio garante uma virada de chave para a economia regional, pois as agroindústrias podem começar a comercializar sua produção fora dos limites de seus municípios.

“A partir de hoje, o mercado regional, estimado em mais de 892 mil consumidores, está aberto para as agroindústrias dos 23 municípios que aderiram ao consórcio. Isso é muito significativo e abre as janelas de muitas oportunidades”, disse o secretário de Pesca, Agricultura e Turismo de Rio Grande, Bercílio Silva, um dos idealizadores do Consórcio.

Atualmente, conforme os dados da Emater/RS-Ascar, existem 216 agroindústrias registradas na região, sendo que 147 operam com produtos de origem animal e, portanto, são diretamente beneficiadas pela medida. A maior parte das empresas atua na produção de queijos, embutidos, como linguiças e linguiças defumadas, mel, além do processamento de carnes e peixes. Somadas, estas empresas geram aproximadamente 800 empregos diretos.

Com abertura de mercado, estima-se que o número de empreendimentos possa triplicar em pouco tempo. “Essa nova realidade aumenta o leque de possibilidades de comercialização para essas agroindústrias e, aumentando o leque, vai aumentar com certeza a produção, pois vai ter que produzir mais para vender para o público maior e toda a cadeia cresce. Então, no mínimo, se pode triplicar esse número de agroindústrias legalizadas, em poucos anos”, diz o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Ronaldo Maciel.

Para a presidente da Azonasul e prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), o Consórcio garante um impulso para o desenvolvimento regional. “Não tenho dúvidas de que este processo, em muito pouco tempo, terá um grande impacto econômico, que não será apenas na Agricultura Familiar, mas também impactará no turismo e em outras pontas do desenvolvimento da Zona Sul. Ainda não temos como dimensionar esse impacto, mas o céu é o limite”.

Para a presidente da Azonasul e prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), o Consórcio garante um impulso para o desenvolvimento regional. (Foto: Rodrigo Chagas)

E o limite realmente se perde no horizonte a partir da possibilidade de credenciamento das agroindústrias da Zona Sul no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários (SISBI), que possibilita vender para todo o Brasil. O processo para isso está em andamento.

O que vai mudar

Atualmente, as agroindústrias só podem vender seus produtos dentro dos municípios onde estão instaladas ou em feiras e eventos regionais com uma liberação especial da fiscalização estadual. A partir de agora, o Consórcio Regional de Inspeção de Produtos de Origem Animal passa a atuar como um garantidor da padronização dos procedimentos dos SIMs e a responder diretamente ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

A nova realidade acaba com situações, no mínimo inusitadas, como a de um empresário que possui um frigorífico em Morro Redondo e um comércio em Canguçu, mas não pode vender a carne que produz no próprio estabelecimento comercial, porque a licença emitida pelo sistema municipal só vale para Morro Redondo.

“O Consórcio atuará como representante dos sistemas municipais e pode solicitar fazer parte do sistema brasileiro e ter acesso a um mercado que antes a região não tinha acesso, pois o Consórcio está transformando as legislações e qualificando os serviços para serem equivalentes aos do Ministério e isso garantirá a abertura do mercado nacional”, explica a auditora do Mapa, Beatriz Kuchenbecker.

Novo momento para os negócios

Para Igor Fonseca, proprietário de uma agroindústria de beneficiamento de pescado na Colônia Z3, em Pelotas, o ato na sede da Azonsul representou o início de um novo momento. “Até hoje eu não podia vender meu produto no Capão do Leão, por exemplo. Agora eu posso entregar meu pescado em qualquer cidade da Zona Sul e isso vai abrir muito mercado”, comenta.

A perspectiva positiva anima o empresário, que pretende ainda nesta semana procurar clientes de outras cidades que já haviam demonstrado interesse em contar com os produtos da Estrela do Mar em seus freezers, mas esbarraram nas restrições legais. “Vamos procurá-los, mostrar nossos produtos, nossa qualidade e esperamos ter resultados já nas próximas semanas”, comenta.

A ampliação da carteira de clientes terá impacto direto na vida da comunidade, pois a empresa que, hoje, gera 12 empregos diretos e 20 indiretos terá que aumentar o número de empregados à medida que a clientela crescer.

Quem também comemora a assinatura do termo de consolidação do Consórcio é o empresário Elias Bergmann, que participa da administração da Embutidos Bergmann, empresa pelotense especializada em linguiças, embutidos em geral e produtos de carne de porco. Com 23 anos de funcionamento, a agroindústria familiar ocupa atualmente 20 empregados e, nos últimos anos, tem visto suas tentativas de expansão esbarrar nas limitações legais. Agora, livre dos impedimentos, Bergmann projeta dobrar a produção nos próximos seis meses.

“Temos vários futuros clientes que sempre chamavam a gente para ver se já estávamos aptos a vender para os outros municípios, entre eles uma rede de atacados da nossa região interessada em ter nossos produtos e, agora, temos essa possibilidade e isso será ótimo, pois já temos uma estrutura industrial adequada e vamos conseguir dobrar nossa produção tranquilamente”, diz.

Reunião aconteceu na sede da Azonasul, em Pelotas. (Foto: Rodrigo Chagas)