Especial JTR: Pecuária leiteira é alternativa à produção de tabaco

Mais de 350 participantes do estado estiveram No dia de campo (Foto: Luciara Schneid/JTR)

*Com informações da Assessoria de Imprensa

Um dia de campo do leite diferente, saindo da estrutura de visitações a estações tecnológicas programadas e oferecendo a liberdade de escolha ao participante pelo espaço que mais lhe interessa, conhecendo mais a fundo sobre determinado assunto. Esta foi a proposta da 8ª edição do Dia de Campo do Leite, realizado pela Embrapa Clima Temperado Pelotas e parceiros, no dia 12 de setembro, na Estação Experimental Terras Baixas (EETB), em Capão do Leão.

Circularam pelo local mais de 350 participantes, oriundos de municípios como Alto Feliz, Bagé, Bom Princípio, Canguçu, Camaquã, Caçapava do Sul, Cerrito, Encruzilhada, Feliz, Gravataí, Ivoti, Morro Redondo, Nova Petropólis, Pelotas, Pedro Osório, Piratini, Rio Grande, São Francisco de Paula, São Lourenço do Sul, Tupandi e Turuçu. Durante todo o dia, os participantes tiveram a experiência de visitar os mais de 20 espaços tecnológicos como se fosse uma feira.

Segundo a coordenação do evento, o tema principal girou em torno de alternativas para a cultura do tabaco. Em 15 anos, houve redução de 50 mil famílias produtoras de tabaco no país, que buscaram a diversificação da propriedade agrícola. A produção leiteira é uma dessas alternativas viáveis.

Os 20 estandes técnicos estavam voltados a seis áreas temáticas: Vitrine de Forrageiras, Qualidade do Leite, Manejo e Cria de Terneiras, Boas Práticas Agropecuárias, Energias Alternativas, Agroindustrialização e Equipamentos. Empresas e instituições parceiras também colocaram estandes à visitação, incluindo degustação de produtos lácteos. As barracas ficaram situadas na área central da Estação Experimental e também na vitrine de forrageiras diversificadas, implementada durante a Abertura da Colheita do Arroz.

O gerente regional da Emater/RS-Ascar, Ronaldo Maciel, explicou que a temática central do dia de campo, Alternativas ao Tabaco, surgiu de uma chamada pública denominada IEP Tabaco, que congrega seis municípios da Metade Sul (Amaral Ferrador, Arroio do Padre, Canguçu, Pelotas, São Lourenço do Sul e Turuçu), onde a extensão rural junto com a pesquisa agropecuária criam alternativas para a produção do tabaco, sem o intuito de exclusão ou mudança de atividade, mas de apresentar opções ao produtor rural de outras atividades a serem agregadas à propriedade. “A maioria dos produtores rurais, aqui na região, atualmente não produzem exclusivamente o fumo, mas inserem outras culturas na propriedade para agregar renda”, disse.

O chefe-geral da unidade local, Clenio Pillon, lembrou aos participantes que o momento do Dia de Campo é de apresentar suas demandas para balizar a pesquisa. “Estamos num momento ímpar de troca de conhecimentos, e essas trocas são tão pertinentes e saudáveis, que nos dias de hoje, por exemplo, ultrapassamos o país vizinho Uruguai, que anos atrás era referência em produção de pastagens, e hoje, nos destacamos com um Programa de Melhoramento Forrageiro que é modelo para o Brasil e para o mundo”, falou.
Ele também lançou um desafio ao público e instituições promotoras de realização, na Estação Experimental da Embrapa, de um evento na mesma envergadura da Abertura Oficial da Colheita do Arroz. “Eu acredito que podemos e temos todo um conhecimento possível de oferecer um evento que envolva todos os elos da cadeia produtiva do leite”, conclamou Pillon.

Uma das condições para trabalhar a diversificação nas propriedades é qualificar o produtor de leite. Esta tem sido a preocupação da Emater, que oferece cursos para que o bovinocultor de leite invista menos recursos financeiros e tenha retorno de produtividade mais significativos em seu empreendimento rural. A Emater oferece cursos de Pastagens, Inseminação Artificial e um treinamento novo sobre Dieta, que faz com que o bovinocultor de leite ajuste a dieta à base de pasto ao rendimento maior dos seus animais, no Centro de Treinamento de Canguçu (Cetac).

Outra vertente destacada durante o evento foi o serviço de assistência técnica prestado pela Emater/RS-Ascar para que os produtores que produzem derivados de leite (queijos, doce de leite, iogurtes, requeijão e outros) formalizem a atividade comercial de sua propriedade rural. “O produtor vai contar com assistência para elaboração da planta da agroindústria familiar, acompanhamento na propriedade rural, encaminhamento para o licenciamento ambiental e apoio à gestão da propriedade rural”, informou o assistente técnico regional, Renato Cougo dos Santos.

O participante também teve a oportunidade de adquirir produtos, pois houve comercialização de mudas e outros subprodutos lácteos, além de se atualizar sobre equipamentos mais eficientes para seu objetivo de produção e se aproximar das possibilidades de financiamento para investimento no seu negócio rural. “A nossa intenção é que o participante, se produtor, saia com o pacote tecnológico pronto: dados técnicos de manejo atualizados, equipamentos melhores e como adquiri-los em condições financeiras mais razoáveis; se visitante, entenda quais são as facilidades e dificuldades neste momento para o processo de produção do leite, as alternativas recomendadas, a experienciação de ver de perto alguns manejos e a aquisição de produtos lácteos de qualidade”, explicou o engenheiro agrícola, Sérgio Bender.

O 8º Dia de Campo do Leite contou com a parceria da Emater/RS-Ascar, Coopar/Pomerano, Lactalis, Bettin Agrícola, SafraSul Sementes, Sicredi, Associação de Criadores de Gado Jersey do Rio Grande do Sul e Afubra.

A 8ª EDIÇÃO FOI realizadA pela Embrapa Clima Temperado e parceiros, na Estação Experimental Terras Baixas (EETB), em Capão do Leão (Foto: Luciara Schneid/JTR)