Comercialização do tabaco registra atraso em relação à safra anterior com média geral de 33,2%

Safra deve ser menor que a anterior, por conta de atrasos na produção e condições climáticas. (Foto: Divulgação)

*Com informações da Assessoria de Imprensa

A comercialização da safra de tabaco 2025/2026 tem um pequeno atraso em relação à safra 2024/2025, informa o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcilio Drescher.  Este atraso se deve principalmente às condições climáticas, que atrasaram a colheita, e também pela postura de muitos produtores, especialmente no Rio Grande do Sul, que estão aguardando para vender o produto mais adiante, ressalta. Segundo ele, no tabaco Virgínia, o Rio Grande do Sul tem cerca de 18% comercializado, Santa Catarina está próxima de 40% e o Paraná em torno de 37%, o que resulta em uma média geral de aproximadamente 30%.

No mesmo período da safra anterior, esse índice já era de quase 43%. Em anos normais, a comercialização costuma se encerrar até meados de julho, embora em situações excepcionais ela possa terminar antes. Neste ano, com esse ritmo mais lento, é possível que algumas empresas ainda tenham tabaco para receber até meados de agosto. “Isso representa um atraso de 15 a 20 dias no calendário normal de comercialização, dependendo da evolução da demanda e do andamento das compras pelas empresas”, pondera o dirigente.

Na região de Pelotas, a comercialização segue a mesma tendência e se mostra bastante lenta quando comparada com as safras anteriores, segundo a Emater, em seu informativo semanal. Os produtores estão segurando a venda, com o objetivo de alcançar melhores preços pelo tabaco entregue às empresas de processamento. Neste início de comercialização os produtores relatam a prática de preços bastante abaixo do esperado e inclusive cancelamento de compras pelas empresas integradoras.

Resultados modestos

A colheita do tabaco cultivo de verão foi finalizada em toda a região, com alguns produtores ainda realizando atividades de secagem das folhas nas estufas próprias para esta finalidade. A produtividade de referência ficou em 2,3 mil quilos por hectare de folhas secas em estufas. Existe uma variação muito grande nestas produtividades entre as localidades nos municípios produtores devido às chuvas bastante esparsas, localizadas e com volumes acumulados muito variados, durante todo o ciclo vegetativo do tabaco, diz a Emater.

Os municípios de Canguçu com 11mil hectares cultivados e São Lourenço do Sul com 9 mil hectares implantados são considerados os maiores produtores de tabaco do Brasil, tanto em hectares cultivados como número de famílias dedicadas ao cultivo. Os preços praticados variam entre R$ 270,00 a R$ 375,00 por arroba de folhas secas. A variação é em razão da classificação nas diversas categorias.

A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e as Federações da Agricultura (Farsul, Faesc e Faep) e dos Trabalhadores Rurais (Fetag e Fetaesc) do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná realizam intensa mobilização conjunta, com visitas da comissão representativa dos produtores de tabaco a unidades das empresas fumageiras nos três estados, com o objetivo de acompanhar a comercialização da safra de tabaco 2025/2026.

O principal objetivo dessas visitas foi dialogar com os representantes das empresas, buscando maior valorização para o tabaco produzido nesta safra, que segundo os representantes da comissão foi excepcional. “Queremos que o produtor que se dedicou, trabalhou com esmero para produzir um tabaco de qualidade e fez corretamente a separação e a classificação das classes tenha o devido reconhecimento, receba uma remuneração justa e alcance a rentabilidade esperada pelo produto que cultivou ao longo desta safra”, informam.

No caso do Rio Grande do Sul, onde a classificação é realizada ainda na propriedade, o foco das visitas foi observar a qualidade do produto que está chegando às empresas e analisar sua relação com o preço médio que vem sendo pago ao produtor. Nesse contexto, o objetivo não foi acompanhar a classificação em si, já que o tabaco chega às unidades de compra previamente classificado, mas avaliar a correspondência entre a qualidade apresentada e a remuneração praticada, afirmam ainda os representantes da comissão.

Em Santa Catarina e no Paraná, onde o produtor acompanha a classificação de seu tabaco diretamente na esteira das empresas, os representantes da comissão também puderam dialogar com os agricultores e ouvir seus relatos sobre a comercialização. Esse contato direto permitiu observar as percepções dos produtores sobre a classificação, a valorização do produto e os preços praticados no momento da venda.

“A qualidade desta safra, em geral, é boa, e isso é reconhecido pelo setor. No entanto, muitos produtores podem estar deixando de receber uma remuneração melhor justamente por não fazerem, em alguns casos, a separação e a classificação adequadas do tabaco”, dizem. O grande problema, segundo eles, está nas misturas, quando diferentes classes acabam sendo colocadas no mesmo fardo, e também na presença de muita sujeira junto ao produto, o que compromete sua valorização no momento da comercialização.

Por isso, a comissão pretende reforçar a orientação para que o agricultor faça essa separação de forma correta e tenha mais cuidado no preparo do tabaco, pois muitas vezes ele tem um produto de boa qualidade, mas acaba perdendo valor na hora da venda em função dessas falhas. A comissão representativa também reforça a mensagem de que “menos é mais”. “Diante da atual oferta, não apenas no Brasil, mas também nos demais países produtores, que hoje são concorrentes diretos do tabaco brasileiro, precisamos olhar para a próxima safra com a perspectiva de reduzir o plantio, para que possamos manter a rentabilidade na produção de tabaco no Sul do país. Isso é fundamental”, finalizam.

Safra será menor

A estimativa da safra 2025/2026 divulgada pela Afubra em novembro do ano passado, aponta uma produção de 685.284 toneladas, sendo 619.969 do tipo Virginia, 54.979 do Burley e 10.326 do Comum. O Rio Grande do Sul seria responsável por 279.842 toneladas, volume menor do que a safra anterior.