As consequências da estiagem e do forte calor no campo

Para a região, a estimativa de perda do fumo é em cerca de 20% (Foto: Divulgação/Emater)

Desde o final do ano de 2019, fatores climáticos dificultam o desenvolvimento das produções rurais no Rio Grande do Sul. Com a estiagem registrada em diversas regiões, municípios como Canguçu, São Lourenço do Sul, Piratini, Morro Redondo e Amaral Ferrador, por exemplo, decretaram situação de emergência. A estiagem que atinge o estado é considerada a mais severa desde a safra de 2012.

Uma das culturas que mais sofreu com a falta de chuva foi o feijão, também prejudicado pelo excesso de chuva na primavera, com perda estimada na Região Sul em 50%. Ainda, de acordo com o engenheiro agrônomo e assistente técnico regional da Emater Regional, Edgar Norenberg, a safra do milho teve uma diminuição de 20%.

“Alguns municípios não plantaram ou estão plantando agora [milho], fora da época. Com certeza, a produtividade vai ser menor”, afirma o profissional, ressaltando que os produtores que dependem dessa cultura para silagem poderão tê-la em má qualidade nutritiva para o gado, consequentemente prejudicando o setor leiteiro e de corte, já havendo uma queda em torno de 20% na produção diária do leite.

“Como atrasou a entrada das pastagens de verão, diminuiu a oferta de comida, e o leite também diminuiu em função disso. O maior prejuízo vai ser para o inverno”, destaca Norenberg, havendo também uma preocupação com o peso dos animais. Outro fator para a redução na produção de leite é o estresse dos animais provocado pelo forte calor.

Engenheiro agrônomo e assistente técnico regional da Emater, Edgar Norenberg, falou sobre o panorama na Região Sul (Foto: Carina Reis/JTR)

Também, uma produção que teve impacto negativo devido ao calor e a falta de chuva foi o fumo, atualmente com uma estimativa aproximada de perda em 20%. Conforme o extensionista, além da menor quantidade, a qualidade do produto é afetada por conta do clima desfavorável, podendo ocasionar uma menor remuneração ao agricultor na hora da comercialização.

Já a soja é vista como uma cultura que possui capacidade de reação e resistência à estiagem. “A gente estima uma perda geral entre 10% e 15% na região”, comenta Norenberg, acrescentando que a recuperação se dá por conta das chuvas ocorridas nas últimas semanas, como também pela fase atual da produção, pois diminui a perda de água por evaporação.

Milho foi uma das culturas atingidas pela estiagem (Foto: Vera Cruz/JTR)

“As chuvas têm sido fundamentais para as lavouras, mesmo que isoladas. Não é o ideal, é abaixo do que a planta precisa, mas tem ajudado. A gente pode afirmar que o quadro da nossa região não está mais grave neste momento por causa dessas chuvas”, ressalta.

Prejuízo na produção para autoconsumo na região

Segundo o extensionista, as perdas de hortas domésticas são expressivas por causa da falta de água nas propriedades, até mesmo para consumo. Conforme levantamento realizado pela Emater nesta semana, 382 famílias da região estão recebendo água em casa, através das prefeituras.

Estimativa para os próximos meses no estado

Segundo a Defesa Civil do Estado, a estiagem no Rio Grande do Sul deverá ocorrer também ao longo do mês de fevereiro, com retorno organizado das chuvas a partir de março. Ainda, destaca que as chuvas dos últimos dias, trouxeram melhoras, mas não alteraram a situação de estiagem.

Até o fechamento desta edição, em todo o RS, 81 municípios decretaram situação de emergência e 11 outros já registraram a situação no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID).

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