Vestir empatia

Roni Quevedo é médico e militante no movimento contra o tabaco. (Foto: Arquivo)

Por Roni Quevedo                                                                                                    Médico

Por muito tempo, estamos vestindo camisinha como proteção contra a AIDS (HIV). Vestimos máscaras durante um ano e meio como proteção contra a COVID-19 (SARS-CoV-2). São condutas para a proteção da saúde de todos, em benefício do bem comum. Temos que respeitar, portanto, e muito rapidamente, o lógico, o correto, o que é constitucional: prevalecer, sem restrição, o direito do coletivo sobre o direito individual.

O tabaco/fumo, sob qualquer forma de apresentação, causa adoecimento, incapacitação e morte, comprometendo gravemente pessoas que nunca fumaram.

O fumo passivo e o fumo de terceira mão ocorrem tanto no espaço residencial quanto no trabalho, no ambiente escolar e também nos espaços de lazer.

Fumar torna-se um ato coletivo. Podemos interpelar enfatizando: “quem não fuma não pode ser obrigado a fumar”. Temos que buscar, com urgência, uma conduta, um comportamento, uma atitude sobre o que vamos “vestir” para nos proteger do tabagismo passivo e do tabagismo de terceira mão.

Em Pelotas, resultado de pesquisa do Instituto de Pesquisas e Opinião (IPO) registrou que 25% da população pelotense é fumante ativa. Quem sabe cairia bem vestir um pouco mais de responsabilidade e vestir empatia sem limites ou distinção! Em nossa cidade, diversas UBSs, em diferentes bairros, disponibilizam acolhimento e tratamento para a cessação do tabagismo, gratuitos e garantidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

São atitudes, ações e condutas que se referem a um princípio básico:
Saúde é inegociável!